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EUA dão cartas na robótica

A nova administração norte-americana pode ter afirmado que fomentar o emprego é uma das suas maiores prioridades, mas esses postos de trabalho podem, afinal, ficar nas mãos de robots. Já no Reino Unido, embora o governo sublinhe que a tecnologia é fundamental, o investimento em robótica tem vindo a cair nos últimos anos.

Um relatório recente mostra que os EUA são os líderes mundiais em investimentos em automação, com um stock de robótica avaliado em 732 mil milhões de dólares (aproximadamente 681 mil milhões de euros) – superior à economia da Suíça.

O estudo conduzido pela Redwood Software e pelo Centre for Economics and Business Research (CEBR) revelou que o investimento dos EUA em robótica rondou os 86 mil milhões de dólares em 2015, face a menos de 40 mil milhões em 2009. Entre 2011 e 2015, os investimentos dos EUA em robótica aumentaram 30%.

Mais do que isso, estima-se que o investimento em robótica tenha contribuído com cerca de 10% do PIB per capita nos países da OCDE entre 1993 e 2016, com países-chave como a Alemanha, Japão e Coreia do Sul em destaque. Porém, o Reino Unido fica atrás desses países e o investimento nos EUA é 62 vezes maior que o do Reino Unido.

Os robots industriais instalados no Reino Unido em 2015 caíram 21% em relação a 2014 e o país tem apenas 33 robots por cada 10.000 funcionários em toda a indústria. O Brexit poderá ter um impacto prejudicial adicional sobre a densidade de robots do Reino Unido e apresenta desafios renovados nesta área.

Na verdade, a maior parte do investimento em robótica no Reino Unido tem sido na indústria automóvel. «O crescimento e a modernização da indústria automóvel têm sido fatores-chave para o aumento da robótica no Reino Unido nos últimos anos», aponta o relatório. «Como resultado, o crescimento contínuo no mercado da robótica do Reino Unido dependerá muito se os investimentos planeados nesta indústria progredirem depois do Brexit».

Enquanto o Reino Unido vai ficando para trás, espera-se que os EUA ganhem ainda mais força.

David Whitaker, economista do CEBR, afirma que «o tamanho da economia [dos EUA] e a sua grande base de produção nos sectores automóvel e eletrónico tornam-no um candidato natural para uma maior automação».

Já Dennis Walsh, presidente da Redwood Software para as Américas e Ásia-Pacífico, considera que «o sector industrial dos EUA é líder na utilização de robótica nas suas operações. Cada vez mais, as empresas aplicam o valor da robótica não apenas na linha de montagem, mas também em áreas como a cadeia de aprovisionamento e os departamentos financeiros».

Poderá isso ter um impacto negativo nos empregos? Em algumas circunstâncias, certamente, mas o CEBR mostra-se otimista. O estudo mostra que o investimento em robótica tem «maior impacto positivo na economia do que sectores mais estabelecidos como a tecnologia da informação, a construção e o sector imobiliário – embora todos esses sectores beneficiem das economias de escala que a robótica não pode igualar».

David Whitaker assegura que «não há dúvidas sobre isso – a robótica é agora um contribuinte significativo para o crescimento económico». «Há evidências claras que apontam para a automação robótica em muitos casos como um complemento ao trabalho humano e não como substituto direto. À medida que mais tarefas mundanas vão sendo automatizadas, o esforço humano torna-se mais valioso, pois concentra-se em tarefas de nível superior, criatividade, know-how e pensamento», explica Whitaker.

Mais do que isso, o CEBR acredita que a automação venha a aumentar o número total de empregos disponíveis, enquanto os altera, pelo que as pessoas precisam de se concentrar na importância de trabalhar com a automação e não contra ela.