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EUA e China iniciam terceiro dia de negociações

As delegações norte-americana e chinesa iniciaram hoje o terceiro dia de negociações em Washington, com o objectivo de chegar a um acordo geral para limitar as exportações chinesas de têxteis e de vestuário com destino aos EUA.

A quinta ronda negocial, cuja conclusão estava inicialmente planeada para ontem (ver notícia no Portugal Têxtil), encontra-se sob a orientação de David Spooner, representante do Governo norte-americano para as negociações sobre os têxteis, e do Director-geral do departamento chinês de negócios estrangeiros, Lu Jianhua.

De acordo com as declarações do porta-voz da associação sectorial AMTAC (American Manufacturing Trade Action Coalition), Lloyd Wood, os produtores norte-americanos não se encontram optimistas que os dois países cheguem a um acordo durante a actual ronda negocial. Esta opinião surge em sequência das notícias que referem o facto dos responsáveis chineses não planearem modificar a sua oferta inicial.

De acordo com as declarações do porta-voz da AMTAC, os responsáveis da indústria norte-americana estão a pressionar a administração Bush no sentido de estabelecer um acordo com aplicação até ao fim de 2008. Os responsáveis sectoriais consideram ainda que um eventual acordo com a China deverá abarcar todas as categorias de têxteis e de vestuário já abrangidas pelas medidas de salvaguarda, assim como qualquer categoria adicional que as importações chinesas possam ameaçar causar a ruptura do mercado.

Os responsáveis governamentais norte-americanos impuseram limites quantitativos a diversas categorias de importações chinesas a pedido de diversas associações sectoriais, que referem a perda de mais de 30.000 postos de trabalho desde a eliminação das quotas alfandegárias no início de 2005. Foram recentemente apresentados mais quatro pedidos de salvaguarda junto do CITA (Committee for the Implementation of Textile Agreements), organismo governamental norte-americano responsável pela análise dos pedidos (ver notícia no Portugal Têxtil).

As medidas de salvaguarda encontram-se previstas no acordo de adesão da China à Organização Mundial de Comércio (OMC), ao abrigo das quais o crescimento das importações chinesas poderá ser limitado a uma taxa de 7,5% ao ano até ao fim de 2008. Segundo o divulgado pelo The China Post, apesar das associações sectoriais norte-americanas considerarem esta taxa aceitável, os responsáveis chineses querem garantir um crescimento anual de 15%.

Defendendo um maior crescimento no volume de importações com origem na China encontram-se os retalhistas norte-americanos, que em virtude do esgotamento das quotas de importação, são obrigados a procurar outras origens de importação.

Para além do confronto entre produtores e importadores, a Administração Bush encontra-se sob a pressão do Congresso norte-americano, que defende maior rigidez com a China em virtude do deficit comercial registado em 2004, cifrado nos 162 mil milhões de dólares. O deficit comercial dos EUA com a China está a registar um crescimento de 30% em 2005, em parte motivado pelo aumento das importações de têxteis e de vestuário (ver notícia no Portugal Têxtil).

Para além da batalha sobre o deficit da balança comercial, o Governo norte-americano está também a pressionar a China para permitir a valorização da sua moeda, o yuan, em relação ao dólar.

Apesar da China ter anunciado uma ligeira reavaliação de 2,1% durante o mês de Julho (ver notícia no Portugal Têxtil), o yuan ainda não registou mais variações, apesar de alguns responsáveis norte-americanos defenderem que a moeda chinesa encontra-se subvalorizada em 40%. A sub-valorização do yuan torna os artigos chineses mais baratos no mercado norte-americano, inflacionando o preço dos produtos norte-americanos no mercado chinês.

Com o objectivo de pressionar os responsáveis chineses para reavaliarem a sua moeda, existe uma proposta de legislação no Congresso norte-americano para a aplicação de uma taxa alfandegária de 27,5% sobre todas as importações chinesas, caso as autoridades de Pequim não valorizem o yuan face ao dólar.