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EUA preocupados com Doha

Os produtores americanos encaram com nervosismo as conversações mundiais da Ronda de Doha, temendo que as mesmas possam abrir o mercado americano a mais importações, sem que haja um impulso para as suas exportações. A preocupação dos produtores da indústria têxtil americana junta-se à dos produtores de automóveis e da indústria do aço, numa altura em que os negociadores se preparam para apostar no que muitos acreditam ser uma aposta de alto risco para concluir com sucesso as negociações que duram hÁ jÁ sete anos. Susan Schwab, representante dos EUA, e representantes da Europa, índia, Brasil e de outros principais membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) vão juntar-se em Genebra na semana de 20 de Julho para tentar chegar a um acordo. Se falharem, pode ser o “golpe de morte” para a longa campanha de negociações ou pelo menos o seu congelamento durante muitos anos. Os produtores norte-americanos de têxteis temem que este seja o seu fim», admite Cass Johnson, presidente do Conselho Nacional de Organizações Têxteis. As propostas actuais iriam cortar as taxas têxteis médias norte-americanas de cerca de 15% para perto de 4%. Isso seria devastador para nós». Muitos produtores de média dimensão temem também que um acordo fragilize a capacidade dos EUA de impor taxas anti-dumping nas importações que considera terem preços injustos», afirma Scott Paul, director-executivo da Alliance for American Manufacturing. Cada ronda bem sucedida de negociações na OMC enfraqueceu ainda mais as leis de comércio dos EUA e sabemos, com base nas propostas de muitos parceiros comerciais, que hÁ um profundo desejo de chegar ainda mais longe. Da mesma forma, as actuais propostas com vista à diminuição das taxas dão poucas hipóteses de aumentar as exportações dos EUA». Doug Goudie, director da política de comércio internacional na Associação Nacional de Produtores, considera que o acordo só serÁ possível se os principais países em desenvolvimento, como o Brasil, a China, a índia e a Argentina, concordarem em abrir mais os seus mercados. Se os países em desenvolvimento mostrarem alguma flexibilidade… vão ver algumas recompensas. Os EUA têm sido claros nessa matéria. HÁ sectores que vão ser mais atingidos do que outros. Acho que os têxteis e talvez o sector automóvel… mas, no geral, vai ser uma óptima ronda, desde que consigamos um bom acordo, que expanda as exportações dos EUA», conclui Goudie.