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EUA vs. Europa

A confiança do consumidor dos EUA aumentou no primeiro trimestre para o máximo em quatro anos graças à melhoria da economia, o que contrasta com a moral ainda em baixa entre os países da Zona Euro. A confiança manteve-se, contudo, mais elevada na Índia e na região da Ásia Pacífico, segundo o estudo trimestral da empresa de informação mundial Nielsen. Globalmente, a confiança do consumidor aumentou ligeiramente em comparação com o quarto trimestre de 2011, segundo o Nilsen Global Consumer Confidence Index. O índice ganhou cinco pontos no primeiro trimestre de 2012, para 94, ajudado por um aumento de nove pontos na pontuação dos EUA em comparação com os três meses anteriores. Cerca de 55% dos consumidores mundiais descreveram as suas finanças pessoais para os próximos 12 meses como excelentes/boas, um aumento em comparação com os 52% no trimestre anterior, enquanto 33% indicaram que foi uma boa altura para comprarem as coisas que querem. O aumento da confiança nos EUA, nos níveis mais elevados desde o terceiro trimestre de 2007, foi muito mais acentuado do que na maior parte dos mercados analisados. A Índia, contudo, ficou no topo do ranking mundial novamente, seguida de economias emergentes como a Arábia Saudita, o Brasil e a China. O registo de 123 da Índia ficou bem abaixo do recorde do país de 137 no segundo semestre de 2006, o valor mais alto de sempre em qualquer país desde que o estudo foi iniciado em 2005. O Egito, que tem finalmente eleições presidenciais no próximo mês, mais de um ano após a revolta de depôs Hosni Mubarak, também registou um aumento de confiança. James Russo, vice-presidente de Global Consumer Insights da Nielsen, considera que as condições mais favoráveis do mercado laboral melhoraram a moral dos consumidores americanos, mas advertiu que ainda não é certo se a tendência será sustentável, tendo em conta que os dados económicos mais recentes dos EUA não foram tão fortes, incluindo os dados do emprego em março. «Além disso, de acordo com a análise da Nielsen, as famílias que ganham mais de 100 mil dólares continuam a gerar ganhos no consumo e nas saídas para compras, enquanto quase 50% dos americanos nos segmentos de rendimentos mais baixos continuam em dificuldades», indicou Russo. «A previsão a curto prazo para o consumidor americano será fortemente condicionada pela forma como o mercado laboral se comporta, especialmente para os consumidores da classe média e de classes mais baixas», acrescentou. A América Latina foi a região mais confiante a seguir à Ásia Pacífico. Os asiáticos foram mais otimistas em termos de perspetivas de emprego, enquanto os latino-americanos foram os mais confiantes em relação às suas finanças pessoais e os norte-americanos em relação às intenções de consumo imediato, mostra o estudo. A confiança do consumidor foi pior na Hungria, embora tenha melhorado ligeiramente em relação ao trimestre anterior. A Hungria tem sido assolada pela incerteza sobre se pode assegurar apoio financeiro internacional mas houve um avanço recentemente, com a UE a dar luz verde para conversações. A confiança está também muito em baixa nos países em dificuldades da Zona Euro, nomeadamente em Portugal e na Grécia, que tiveram de impor medidas severas de austeridade para combaterem a sua dívida, e em Espanha, que se tornou o centro na Zona Euro das preocupações dos mercados financeiros. A confiança do consumidor na maior economia europeia, a Alemanha, aumentou ligeiramente no primeiro trimestre. No Reino Unido, a moral do consumidor melhorou consideravelmente apesar dos dados mais recentes terem mostrado que a economia do país regressou à recessão. O estudo, realizado entre 10 e 27 de fevereiro, abrangeu mais de 28 mil consumidores em 56 países.