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Euro ameaça exportações portuguesas

A valorização do euro e consequente descida dos preços dos produtos concorrentes asiáticos indexados ao dólar, está a penalizar as exportações portuguesas, nomeadamente de têxteis-lar. Segundo referiu ao Diário de Notícias, a ATP – Associação de Têxtil e Vestuário de Portugal, acha esta situação «preocupante», porque as «empresas estão a perder dinheiro por algo que não conseguem controlar». Na semana passada, o euro atingiu um novo máximo histórico atingindo 1,1978 dólares, antes de baixar para 1,191 dólares. A valorização atingida pelo euro foi desencadeada pelo agravar da crise do Iraque, pela ameaça de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e acima de tudo, pela notícia de que os investidores estrangeiros estariam a sair do mercado americano. No que diz respeito à indústria têxtil e de vestuário nacional, as exportações caíram 3,2 por cento nos primeiros sete meses do ano, relativamente ao mesmo período de 2002. Será certamente, a retracção do consumo umas das causas desta queda, mas a valorização do euro, tem também a sua parte das culpas. Para Luísa Santos, da ATP, a situação é «preocupante», já que as previsões de crescimento das empresas saíram «furadas». Esta desvalorização do dólar acaba por penalizar, não só as vendas para os Estados Unidos, mas também para a União Europeia, pois permite a entrada dos produtos asiáticos a preços mais baixos, e nesta altura de dificuldades, os consumidores são facilmente atraídos pelos preços mais baixos. No entanto, a apreciação do euro não vai ser a principal causa da deterioração das condições económicas na Europa, o mais importante será o restabelecimento da confiança dos consumidores. No mercado nacional esta questão também não terá grande impacto no que toca à recuperação, sendo de lembrar que, apesar da queda do dólar, Portugal conseguiu aumentar as exportações para mercados como os Estados Unidos e a Austrália.