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Euro pesa sobre a Turquia

Os exportadores turcos de vestuário enfrentam dificuldades, com a desvalorização do euro a subtrair uma parte substancial das receitas de exportação de pronto-a-vestir do país, num momento em que o fraco desempenho económico da Europa está a condicionar os seus principais mercados.  

A Turquia vende as roupas produzidas para a Europa em euros, mas uma parte substancial dos inputs são adquiridos em dólares americanos, de modo que a desvalorização do euro face ao dólar, de 1,36 euros no ano passado para 1,18 euros no início deste ano, afetou o desempenho do país. Quando avaliadas em dólares, as exportações turcas caíram 1,2 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2015 em comparação a 2014.

Ahmet Sisman, da Associação dos Exportadores de Vestuário de Istambul, afirmou que, devido ao facto de 80% das vendas de vestuário turco terem como destino a Europa, utilizando o euro como moeda, as receitas calculadas em dólares enunciam uma grande perda. «Se utilizarmos o euro para calcular os valores, as nossas exportações não estão em declínio muito sério, mas quando calculamos em dólares, infelizmente, tivemos um declínio muito acentuado nas exportações de vestuário no primeiro semestre deste ano», revelou Sisman.

Mas esta não é apenas uma questão de contabilidade – é um problema real para a indústria turca, dado que os fabricantes turcos pagam muitos dos seus custos de matérias-primas em dólares. Os produtores de vestuário na Turquia venderam 9,4 mil milhões de dólares em vestuário, de janeiro a junho de 2014, e apenas 8,2 mil milhões de dólares no mesmo período deste ano, de acordo com as Associações de Exportação de Têxteis e Vestuário (ITKIB na sigla original), um grupo que inclui a Associação de Exportação de Vestuário.

A maioria destas perdas ocorreu na Europa, em países da Zona Euro, como a Alemanha, Espanha, França, Holanda, Itália, Bélgica e Lituânia. E isto não se deve apenas às taxas de câmbio desfavoráveis – segundo dados da ITKIB, os volumes de exportação da Turquia também caíram 13,3%.

As vendas também diminuíram nos países pertencentes à União Europeia mas exteriores à Zona Euro, como o Reino Unido, Roménia, Polónia e Dinamarca. E as importantes exportações para o mercado russo foram especialmente afetadas, baixando 43,3% no primeiro semestre de 2015, em resultado da crise na Ucrânia e da desvalorização do rublo, a par da queda dos preços do petróleo e das sanções internacionais.

Seref Fayat, presidente da Federação Turca de Fabricantes de Vestuário (TGSD na sigla original), explicou que a queda nas vendas resultou da diminuição da procura na Europa, devido a problemas económicos.

Luz ao fundo do túnel
Porém, Fayat adiantou que, no longo prazo, a queda do euro poderá, efetivamente, revelar-se um benefício, com compradores provenientes de países da União Europeia a optarem por transferir alguns dos seus negócios do Sudeste Asiático, onde os fabricantes vendem em dólares, para a Turquia, onde os exportadores vendem, principalmente, em euros. «Prevejo um aumento da procura na Turquia no final deste ano e no próximo», disse Fayat. «Eles não vão querer comprar mais em dólares, mas em euros. A diferença de preço entre o Extremo Oriente e a Turquia é de 25%», acrescentou.

Rasin Akcakaya é diretor da Akcakaya Textiles, cujas vendas aumentaram este ano. Akcakaya admitiu estar a receber e-mails de compradores que normalmente fazem negócios na China, onde os fabricantes vendem em dólares, estando a ponderar comprar mais na Turquia devido ao baixo valor do euro. «[Vender em euros] é uma das maiores vantagens para nós», apontou Akcakaya. «[Os compradores] afirmam que têm produtos da China, mas não estão satisfeitos com os preços, além do custos de transporte», admitiu.

Sisman, por seu lado, considera que a diminuição do volume não é íngreme: «Na verdade, no volume, não temos um declínio muito sério», reconheceu.

Os principais itens de exportação da Turquia, no ano passado, incluíram t-shirts, camisolas, meias, fatos, blusas, camisas e calças de homem.