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Europa dá sinais de recuperação

A produção industrial em Portugal não resistiu e sofreu um descalabro, em abril, com o confinamento. Na Europa, o índice de produção industrial para maio está a subir, dando alguma esperança ao sector.

O novo coronavírus continua a fazer estragos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção industrial caiu 25,9% durante o mês de abril, face a igual período do ano anterior. A situação é tanto mais grave uma vez que prolonga a queda registada em março, quando foi decretado o estado de emergência em Portugal.

«Refletindo os constrangimentos à atividade económica determinados pelas medidas de contenção à disseminação da pandemia de Covid-19, o índice de produção industrial registou uma variação homóloga de -25,9% em abril, taxa inferior em 19,1 pontos percentuais à observada em março», informa o INE.

Para este índice agregado, contribuíram negativamente todas as áreas da indústria, com destaque para os bens de consumo, que registaram uma queda de 30%. Os bens intermediários e os bens de investimento evidenciaram uma queda de 21% e 43,7%, respetivamente.

Na comparação com o mês anterior, a produção industrial em Portugal desceu 18,2%, somando o terceiro mês consecutivo de quebras.

Surpresa chega de Itália

Apesar deste descalabro em Portugal, os dados da produção industrial em maio dão contas de alguma melhoria.

A produção industrial na zona euro, apesar de continuar a registar uma severa contração motivada pelo impacto do vírus, subiu no mês de maio, segundo o índice de produção industrial (PMI, na sigla em inglês), de acordo com o IHS Markit.

O PMI aumentou para a marca dos 39,4 depois de, em abril, ter registado os 33,4 pontos, ainda assim muito abaixo dos 50, o que demonstra uma clara quebra na atividade.

«Ao mesmo tempo que nos preparamos para enfrentar quebras sem precedentes na produção industrial e no produto interno bruto do segundo trimestre, os dados trazem esperança que o sector da produção de bens poderá, pelo menos, ver uma estabilização e, até potencialmente, retornar a uma trajetória de crescimento no terceiro trimestre», afirma Chris Williamson, economista-chefe da IHS Markit.

O sector sofreu uma contração severa, primeiro devido a problemas na cadeia de aprovisionamento, principalmente provenientes da China, onde o surto teve origem, e depois devido às restrições impostos no funcionamento das fábricas.

O intervalo não foi, contudo, tão violento quanto o sofrido pelo sector dos serviços, que praticamente ficou paralisado durante o mês de abril.

Estes dados do sector na Europa estão em linha com os números da China, que demonstram uma expansão em maio, o que leva o sector a estar menos pessimista quanto ao futuro.

Ainda assim, a indústria continuou a reduzir o número de colaboradores e os preços baixaram, devido à quebra da procura.

Dentro da Europa, a grande surpresa vem de Itália. Depois de a produção ter contraído 5,3% no primeiro trimestre do ano, significativamente mais do que era esperado, mais de um terço das empresas inquiridas pela IHS Markit reportou um aumento da produção no último mês. O PMI em Itália é de 45,4 pontos.

Já a Alemanha vrificou a menos leitura do PMI de todos os países, com o índice a situar-se nos 36,6 pontos, duas décimas abaixo da estimativa. Em França, o PMI é de 40,6, um valor que superar as estimativas iniciais.