Início Notícias Mercados

Europa mais otimista

Um novo estudo da International Textile Manufacturers Federation revela que as empresas têxteis com sede na Europa estão mais otimistas do que no último inquérito e anteveem uma queda nas vendas inferior às de outros continentes. No total, as vendas mundiais deverão cair 33% em 2020.

O terceiro estudo da International Textile Manufacturers Federation (ITMF), realizado entre 16 e 28 de abril junto dos seus membros, empresas afiliadas e associações, concluiu que a pandemia do coronavírus deverá levar a uma queda média de 33% nas vendas deste ano, em comparação com 2019.

Entre as 600 empresas têxteis de todo o mundo que participaram no inquérito, as encomendas estavam a baixar, em média, 41%. As encomendas na Ásia Oriental estavam a descer 28% enquanto nas outras regiões a redução era igual ou superior a 40%. Na Europa, incluindo a Turquia, as encomendas estavam a descer 45%.

«Pode assumir-se que esta região [da Ásia Oriental], que foi a primeira a ser afetada pela crise do coronavírus, está também a recuperar primeiro. Sobretudo a China e a Coreia [do Sul] foram capazes de contar a epidemia com sucesso», indica a ITMF. «Nas últimas semanas, a maior parte das empresas chinesas aumentaram significativamente a produção. Da mesma forma, as lojas de retalho físico reabriram e o consumo está novamente a retomar nos países da Ásia Oriental. Falta saber como vai ser o comportamento de consumo na China, Coreia e noutros locais quando as lojas abrirem», acrescenta.

Queda de 22% no Velho Continente

As empresas na Europa esperam uma queda de «apenas» 22% nas vendas em 2020, um valor significativamente melhor do que o estimado no segundo estudo da ITMF, realizado entre 28 de março e 6 de abril, em que apontavam para um declínio de 33%.

Já as empresas na Ásia Oriental antecipam uma quebra de 26% nas vendas, uma taxa ligeiramente superior à de 22% indicada no segundo estudo.

As expectativas de vendas nas empresas do sudeste asiático e no sul da Ásia, por outro lado, deterioraram-se significativamente. «Estas regiões foram atingidas mais tardiamente pela pandemia de coronavírus, o que levou a que o impacto total tenha sido sentido com um atraso», justifica a ITMF. Em comparação com 2019, esperam que as vendas em 2020 baixem 38% e 31%, respetivamente.

Já as perspetivas das empresas africanas, sul-americanas e norte-americanas não variaram muito desde o segundo inquérito do ITMF, quando estimavam uma queda de 45%, 41% e 29%, respetivamente.

Desafios e oportunidades

As empresas inquiridas apontaram como principais desafios a existência de liquidez suficiente, a interrupção das cadeias de aprovisionamento e a incerteza provocada pela situação atual.

Listam ainda como oportunidades a diversificação, atualmente focada em têxteis para a área médica, melhorar a eficiência da organização e dos processos produtivos, acelerar a reavaliação das atuais cadeias de aprovisionamento e investir na digitalização e produção sustentável.

Muitas empresas afirmaram ter recebido pouca ou nenhuma ajuda de programas governamentais, mesmo quando existem medidas governamentais implementadas, nomeadamente empréstimos com baixos juros e moratórias de pagamento, adiamento do pagamento de impostos e à segurança social e planos para reduzir os custos energéticos.

«O maior alívio surge quando retalhistas/marcas discutem a adaptação à crise com os seus fornecedores em vez de cancelarem as encomendas de forma unilateral», destacaram os inquiridos da ITMF.