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Europa sem barreiras

Os exportadores de vestuário de países como o Bangladesh, Paquistão e Myanmar estão a prosperar no mercado europeu, fechando ordens de encomenda em feiras como a Apparel Sourcing, Paris, apoiados por diferentes acordos comerciais, políticas governamentais e assistência externa.

Centenas de exportadores de vestuário, a maioria da Ásia, acorreram no passado mês de fevereiro à Apparel Sourcing, em Paris, organizada pela Messe Frankfurt France. Mais encomendas significam mais emprego para países que precisam de o fomentar e, ainda que os esforços individuais sejam relevantes, a criação de novos postos de trabalho tem sido fortemente impulsionada por acordos comerciais, políticas governamentais e pela assistência externa, analisa o just-style.com.

Apercebendo-se disso, os expositores da China e da Índia mostraram-se frustrados com o sucesso experimentado pelos expositores do Bangladesh e do Paquistão, que continuam a ter livre-acesso ao mercado da União Europeia (UE).

Pelo menos 49 países beneficiam de acesso livre de taxas e de impostos ao mercado europeu. Na lista de beneficiários asiáticos constam o Bangladesh, o Camboja e o Myanmar. Nos países africanos, Etiópia, Madagáscar e Lesoto integram o grupo.

Outro incentivo especial da UE é o Sistema de Preferências Generalizadas (SPG), que oferece acesso aos países vulneráveis que assinem uma série de convenções internacionais sobre direitos humanos e laborais, sustentabilidade e boa governação. Entre os atuais beneficiários encontram-se o Paquistão, o Sri Lanka e o Quirguistão.

A UE pode ainda adaptar acordos comerciais a situações específicas – como aconteceu quando, em abril de 2017, a UE, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério do Trabalho da Jordânia assinaram um acordo especial.

O documento prevê que as regras de origem sejam mais flexíveis para ajudar as empresas jordanas a exportarem mais para a UE sob a condição de empregarem um número mínimo de refugiados sírios.

Quase todas as exportações de vestuário do Quirguistão têm tido como destino a Rússia, Cazaquistão e outros países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Porém, a queda da procura russa nos últimos anos levou os exportadores do Quirguistão a procurarem negócios alternativos na Europa.

O Quirguistão adquiriu o estatuto de GSP da UE em janeiro de 2016. Seria, por isso, coerente que os exportadores de vestuário do Quirguizistão fossem apoiados por organizações europeias – alemãs ou outras organizações de ajuda ao desenvolvimento sediadas na Europa. No entanto, a Bishkek Garment Industry, um grupo de 15 empresas de vestuário do Quirguistão, expôs na recente edição da Apparel Sourcing com o apoio da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID na sigla original).

Baratos e verdes

As principais vantagens competitivas da indústria de vestuário do Quirguizistão são a mão de obra barata, o acesso sem impostos à UE e à Rússia, a disponibilidade para aceitar pequenas encomendas e um tempo de transporte relativamente curto (10 a 12 dias de camião para a Europa Ocidental, cinco dias para a Rússia).

Também não foi a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) ou outra agência de desenvolvimento asiática, mas o Centro para a Promoção de Importações dos Países em Desenvolvimento (CBI) dos Países Baixos que se responsabilizou pela promoção de oito empresas de vestuário do Myanmar no salão parisiense. A Jordânia tem acordos comerciais com os EUA, a UE, a Turquia e o Canadá.

Por outro lado, os exportadores de vestuário dos países em desenvolvimento sabem que os clientes europeus preferem parceiros de produção que, além de rápidos e baratos, sejam éticos e ecológicos.

Enamul Kabir, CEO da Ensa Clothing, sediada em Daca, afirma que o Bangladesh está a ganhar pontos na conformidade social à China e que sete das 10 maiores empresas “verdes” de vestuário podem ser encontradas no Bangladesh.

Do ponto de vista social, a migração é um dilema para vários países exportadores de vestuário. A maioria dos atuais 80.000 trabalhadores do sector na Jordânia é proveniente do Bangladesh, Sri Lanka e Nepal –, mas são necessários mais 20.000 trabalhadores e, muitos deles, serão refugiados sírios. Em dezembro de 2013, mais de 120.000 migrantes clandestinos foram expulsos da Arábia Saudita para a Etiópia.