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Europa ultrapassa EUA

As compras on-line estão na moda e, quando duas das principais marcas de fast-fashion lançaram sítios de comércio electrónico no final do ano passado, o retalho de moda europeia atingiu o seu auge e levantou a fasquia para os retalhistas norte-americanos. A espanhola Inditex, que em 2010 superou a norte-americana Gap na qualidade de maior retalhista do mundo em vendas de vestuário, lançou as compras on-line para a sua marca principal, a Zara, em Setembro último. Também a sueca Hennes & Mauritz apostou recentemente no comércio on-line. Os gastos através da Internet na Europa deverão crescer 18%, para mais de 200 mil milhões de euros este ano, bastante acima dos quase 11% de crescimento, para os 192 mil milhões de dólares, previstos nos EUA, de acordo com a Kelkoo, um website que compara os preços on-line. Os 27 países da União Europeia têm uma população que ascende a pouco mais de 500 milhões de pessoas, contra uma população de cerca de 320 milhões nos EUA. Segundo Richard Stables, director-geral da Kelkoo, o ano «2011 vai ver as vendas on-line atingir uma parcela significativa do comércio retalhista na maioria dos países europeus, com 7 cêntimos por cada euro gasto on-line em média». E isso pode ser uma má notícia para alguns retalhistas dos EUA. As redes de retalho norte-americanas especializadas na faixa etária entre os 15 e os 35 anos de idade serão as mais afectadas, de acordo com Marshal Cohen, analista chefe do NPD Group. Abercrombie & Fitch e Victoria’s Secret, que possuem um forte prestígio no exterior, estão entre as que vão sentir a ameaça da concorrência, especialmente se os novos concorrentes apresentarem preços mais competitivos e entregas mais rápidas. Para Natalia Grabov, analista da Verdict, empresa de pesquisa de retalho, as empresas que procuram além das lojas tradicionais podem expandir a sua base de clientes de forma rápida e eficaz. A crescente popularidade da moda on-line é sublinhada por alguns pequenos retalhistas no Reino Unido, que no ano passado representaram cerca de 30% do total europeu de vendas através da Internet. A Jacques Vert registou um aumento de 7% no lucro do primeiro semestre como resultado do crescimento dos seus negócios on-line, enquanto o canal de comércio electrónico da Laura Ashley cresceu 29% nas 19 semanas até ao dia 11 de Dezembro. As receitas totais de retalho da Laura Ashley no Reino Unido para esse período cresceram apenas 1,3% por cento, com as vendas para igual número de lojas a crescerem 2,7%. Os gastos on-line com vestuário e calçado na Grã-Bretanha deverão mais que duplicar para as 5,8 mil milhões de libras ao longo dos próximos cinco anos, segundo as previsões da Verdict. Esta tendência positiva, para além do frio sentido no Norte da Europa que manteve os clientes longe das lojas durante a temporada de compras de Natal, levou mais retalhistas, incluindo a Marks & Spencer, a fomentarem a sua presença on-line. O retalhista britânico Alexon, especializado no vestuário para senhora, duplicou o seu comércio on-line ao longo das três semanas até ao dia 19 de Dezembro e está a desenvolver as suas parcerias nos canais on-line e encomendas por correio. O retalhista John Lewis, cujas vendas em loja estagnaram na primeira semana de Dezembro, devido ao excesso de neve que cobriu grande parte da Grã-Bretanha, divulgou que as suas vendas na johnlewis.com subiram mais de 62% durante os quatro dias até 1 de Dezembro. Grã-Bretanha, Alemanha e França foram responsáveis por mais de 70% do total das vendas on-line na Europa no ano passado.