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Europeus rejeitam roupa sem etiqueta

75% dos europeus nunca, ou raramente, compram uma peça de vestuário sem etiqueta. A afirmação é do estudo “A etiqueta de conservação de têxteis e os Europeus”, produzido pela Ipsos para a Ginetex, que concluiu também que os consumidores querem cuidar das roupas e, sobretudo, continuam a ir às compras.

A maior tendência identificada pelo estudo foi mesmo a continuação do consumo de moda na Europa, com quase todos (97%) os inquiridos a indicarem ter comprado pelo menos uma peça de vestuário nos últimos seis meses. Os consumidores de Itália e Espanha assumem-se como os mais compradores, com 98% a darem essa indicação.

O estudo agora publicado pela Ginetex – Associação Internacional para a Etiquetagem de Conservação de Têxteis, que em Portugal é representada pela ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção, baseou-se numa sondagem feita aos consumidores em França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Suécia, República Checa e Espanha e revelou ainda que os europeus estão preocupados com a durabilidade do seu vestuário.

«70% respeitam as indicações das etiquetas – um resultado relativamente estável (+1 ponto) quando comparado com o resultado da sondagem anterior», aponta o estudo, que, contudo, dá conta de diferenças entre países: 78% dos suecos seguem as instruções de conservação, em França são 71% e no Reino Unido esta taxa baixa para 64%.

Ainda neste âmbito, oito em cada 10 europeus (82%) consideram que a etiqueta de conservação dos têxteis é útil e 75% afirmam mesmo que nunca, ou raramente, compram uma peça de vestuário sem instruções de conservação. «Esta resposta testemunha o quão importante esta etiqueta é para os europeus», destaca o estudo, que conclui que os europeus são «sensíveis às etiquetas de conservação porque desejam cuidar da sua roupa».

No entanto, nem todos sabem o significado da simbologia presente na etiqueta. O símbolo mais reconhecido é o da passagem a ferro (98% dos europeus), seguido pelo da lavagem (89%). No espectro oposto, apenas 15% dos inquiridos foram capazes de identificar o símbolo de limpeza profissional, só 24% conhece o símbolo de secagem e 28% o de branqueamento.

Vestuário tem segunda vida

Uma última conclusão comprova a tendência de que os consumidores estão mais preocupados com a sustentabilidade e com o dar uma segunda vida à roupa que já não usam. «A consciência sobre assuntos ambientais está a aumentar em todo o lado e esta tendência está claramente presente na nossa sondagem», refere o estudo. 75% dos inquiridos doam o seu vestuário, quer a associações (32%), quer a familiares (13%), quer com a colocação em pontos de recolha (30%), com apenas 7% a deitá-lo ao lixo.

O estudo da Ginetex sublinha, por isso, que «neste contexto é particularmente importante manter as etiquetas no vestuário. Podem ser muito úteis e até críticas para as pessoas que dão uma segunda vida à roupa. Contudo, 68% dos europeus corta as etiquetas do vestuário – sistematicamente ou ocasionalmente».

Para Michael Hillmose, presidente da Ginetex, «esta sondagem constitui uma fonte de informação para a nossa profissão». As conclusões do estudo mostram que «a durabilidade do vestuário está no centro dos interesses dos europeus, que querem manter as suas roupas o máximo de tempo possível. Os europeus – com algumas diferenças – consideram as instruções nas etiquetas muito úteis e têm uma elevada confiança nas etiquetas de conservação de têxteis», conclui.