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Expectativas em alta na moda

Num ano que se pinta de tons de roxo, o universo da moda está ainda a digerir a partida precoce de Virgil Abloh enquanto aguarda por um possível substituto e a chegada de novos designers a algumas marcas de referência.

Homenagem a Virgil Abloh [©Louis Vuitton]

O Pantone Color Institute escolheu como cor do ano de 2022 o Very Peri, uma mistura de azul com vermelho que pretende refletir uma atitude alegre e dinâmica para impulsionar a criatividade. A cor é «um símbolo do zeitgeist mundial e da transição pela qual estamos a passar. À medida que emergimos de um intenso período de isolamento, as nossas noções e padrões estão a mudar e as nossas vidas físicas e digitais fundiram-se de uma nova forma», justifica o instituto. O Very Peri (Pantone 17-3938) «ilustra a fusão da vida moderna e da forma como as tendências de cor no mundo digital estão a manifestar-se no mundo físico e vice-versa», acrescenta.

Segundo Leatrice Eiseman, diretora-executiva do Pantone Color Institute, «à medida que entramos num mundo de mudanças sem precedentes, a seleção do Pantone 17-3938 Very Peri traz uma nova perspetiva e visão da fiável e amada família de cor azul, reunindo as qualidades dos azuis, mas, ao mesmo tempo, com este subtom violeta avermelhado, o Pantone 17-3938 Very Peri mostra uma atitude alegre e espirituosa e uma presença dinâmica que encoraja a criatividade e expressões imaginativas».

A escolha reflete «a inovação mundial e a transformação que está a acontecer», afirma Laurie Pressman, vice-presidente do Pantone Color Institute.

ery Peri [©Pantone Color Institute]
Também o WGSN escolheu como cor deste ano uma tonalidade de roxo, batizada Orquídea, que descreve como uma mistura do mundo natural com a tecnologia, com um toque de otimismo. «Este magenta intenso capta um apetite vibrante pela alegria e positividade. À medida que os consumidores se ajustam ao pós-pandemia, cores vívidas e estimulantes terão uma forte atratividade, incitando sentimentos de otimismo e vigor», justifica o gabinete de tendências.

De acordo com o WGSN, a natureza hiper-real deste Orquídea torna-o atrativo tanto para o mundo real como para aplicações digitais «e esperamos que seja apelativo para a moda digital, gaming e ambientes virtuais, como na série de sucesso da Netflix Squid Game», refere. Além disso, a cor permite uma transversalidade tanto ao nível das estações como de género.

Entre as tendências, o WGSN destaca ainda, além da cor, as texturas com relevo feito com tufos. Os retalhistas de massa estão a introduzir o efeito em almofadas e tapetes, mas «a tendência tem um potencial a longo prazo, já que também estamos a ver estudantes de belas artes a usarem os tufos, antes considerados no domínio do artesanato, no seu trabalho», sublinha. Esta é uma tendência mundial e abrange todos os produtos para a casa, desde o chão da casa de banho aos cadeirões da sala de estar e as paredes da sala de jantar. «As texturas com tufos irão aquecer as coisas nos próximos anos», resume o WGSN.

Dança das cadeiras

Com o desaparecimento de Virgil Abloh, haverá, no que deverá ser o futuro próximo, muita especulação sobre quem lhe sucederá na Louis Vuitton e na sua marca Off-White, mas o início de 2022 será sobretudo dedicado a homenagens ao designer, que tinha ainda preparado a coleção masculina da próxima estação.

Homenagem a Virgil Abloh [©Louis Vuitton]
O começo do ano traz ainda três estreias: a primeira coleção de Matthieu Blazy como diretor criativo na Bottega Veneta, depois da saída abrupta de Daniel Lee, com um desfile agendado para 26 de fevereiro na Semana de Moda de Milão; a primeira mostra da criatividade de Nigo, conhecido pelo trabalho nas marcas A Bathing Ape e Human Made, ao comando da Kenzo, em substituição do português Felipe Oliveira Baptista, que saiu em julho do ano passado da marca do grupo LVMH, sendo que Nigo será o primeiro japonês a assumir a direção da casa de moda desde a saída do fundador Kenzo Takada; e a primeira coleção de Camille Miceli, que já trabalhou com Lagerfeld, Alaia e Ghesquière e foi diretora criativa do departamento de acessórios da Louis Vuitton, para a Emilio Pucci.

O ano poderá ainda marcar o regresso de Phoebe Philo ao universo da moda. A designer britânica, que deixou a direção criativa da casa de moda francesa Céline há cerca de quatro anos, poderá estar de volta com uma marca de vestuário e acessórios em nome próprio. A novidade foi anunciada o ano passado, com um comunicado, reproduzido pelo The New York Times, onde Phoebe Philo dizia que «estar no meu estúdio e voltar a trabalhar tem sido emocionante e extremamente gratificante. Estou ansiosa por voltar a estar próxima do meu público».

A nova marca tem o apoio do grupo LVMH, que terá uma quota minoritária, e a designer avançou na altura que daria mais detalhes sobre a sua marca epónima precisamente em janeiro de 2022.