Início Notícias Mercados

Exportações ainda em queda face a 2019

Embora os números sejam positivos nas comparações com 2020, com subidas de 17,7% nos primeiros cinco meses do ano e de 28% só em maio, os dados são ainda negativos face a 2019, com quedas das exportações de matérias têxteis de 2,1% de janeiro a maio e de 6% tendo apenas em conta este último.

Segundo os mais recentes dados do INE, as exportações de matérias têxteis e suas obras atingiram 2,19 mil milhões de euros entre janeiro e maio de 2021, um valor que é 17,7% superior ao registado no mesmo período de 2020 e que fica 2,1% abaixo dos valores de 2019.

Na comparação com o período homólogo de 2020, praticamente todas as categorias verificaram uma evolução positiva, com exceção das exportações de lã (-17,6%, para 17,2 milhões de euros), de vestuário e seus acessórios, exceto de malha (-3,5%, para 300,3 milhões de euros) e de pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, fios especiais, cordéis, cordas e cabos, artigos de cordoaria (-3,4%, para 133,37 milhões de euros).

O cenário é inverso quando se tem como referência os números de 2019, com praticamente todas as categorias em queda no período entre janeiro e maio de 2021, com exceção das exportações de outros artigos têxteis confecionados, que engloba a maioria dos têxteis-lar, com uma subida de 32%, para 326,1 milhões de euros, de algodão (+18,5%, para 79,95 milhões de euros), de outras fibras vegetais (+9%, para 4,1 milhões de euros) e vestuário e seus acessórios de malha (+3,5%, para 938,57 milhões de euros).

Em comunicado, a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal sublinha que «o vestuário em tecido foi a categoria de produtos que registou pior performance: -119 milhões de euros exportados, equivalente a -28%, comparativamente com o valor exportado em 2019», indica o documento assinado pelo presidente, Mário Jorge Machado.

Em termos mensais, maio evidenciou um crescimento das exportações de 28,2% em comparação com o mesmo mês do ano passado, para 433,2 milhões de euros, mas, ao contrário do que aconteceu em abril, os números regressaram ao vermelho face a 2019, com uma queda de 6,3% (em abril de 2021, as exportações tinham subido 5% face a abril de 2019).

Espanha negativa

O mercado espanhol continua a ser o principal mercado dos têxteis e vestuário portugueses, tendo sido responsável por 539,75 milhões de euros de exportações entre janeiro e maio de 2021, um valor que representa uma subida de 17,8% face ao período homólogo de 2020, mas uma queda de 20,4% face a 2019, ou menos 138 milhões de euros.

Os restantes mercados do top 10 estão com comparações positivas, mesmo face ao período entre janeiro e maio de 2019. A ATP destaca «França, para onde exportámos mais 38 milhões de euros (+13%)» e «os EUA, com um acréscimo de 31 milhões de euros (+23%)».

O maior crescimento percentual entre estes 10 principais países registou-se, contudo, na Dinamarca, que nos primeiros cinco meses deste ano comprou à indústria têxtil e de vestuário portuguesa mais 33%, equivalente a 11 milhões de euros, do que em igual período de 2019. Os Países Baixos também evidenciaram um aumento significativo: mais 15,7% face a 2019, representando mais 15,2 milhões de euros.