Início Destaques

Exportações animam China

Em março, as exportações chinesas inverteram a tendência e cresceram pela primeira vez em nove meses, mostrando sinais de estabilização na segunda maior economia do mundo e animando os investidores.

FILE - In this Feb. 15, 2016, file photo, a port worker stands near a container ship at a port in Qingdao in eastern China's Shandong province. Chinese exports have risen for the first time in nine months, in a sign that the outlook may be improving for the world’s No. 2 economy. Customs data posted online Wednesday, April 13, 2016, show that China’s exports rose 11.5 percent in March compared with a year earlier, to $160.8 billion, after slumping by 25 percent in February. (Chinatopix via AP, File) CHINA OUT

As exportações subiram 11,5% face ao ano anterior, em março, o primeiro aumento desde junho e o maior aumento percentual desde fevereiro de 2015.

O receio de uma aterragem forçada na China, mesmo quando o governo avançou com reformas para reequilibrar a economia, agitou os mercados financeiros, com os investidores avidamente à procura de indicadores de que o declínio encontrou, finalmente, um travão. Mas os economistas advertiram que os últimos dados não fornecem uma evidência de uma procura global sólida, uma vez que foram fortemente influenciados por elementos sazonais como o Ano Novo Chinês (ver O retalho no ano do macaco).

Apesar destes sinais de recuperação na China, os primeiros dados trimestrais do PIB deverão mostrar a economia a crescer ao seu ritmo mais lento desde a crise financeira. Combinada com uma inflação moderada, esta realidade deverá manter a política monetária chinesa sob tensão. Os investidores comemoraram, no entanto, com os principais índices de ações chineses a fecharem em alta nos últimos três meses.

«O sector de comércio externo da China provavelmente irá melhorar em relação ao ano passado devido aos baixos valores comparáveis, mas a melhoria não será acentuada, uma vez que as tendências em mercados externos não são as melhores», afirmou Wang Tie Shi, economista da Industrial Securities, à Reuters.

A principal surpresa surgiu depois de outros indicadores económicos do mês de março terem sugerido ligeiras melhorias na economia chinesa, embora outras pesquisas tenham revelado uma intensificação da pressão nos salários e no emprego.

As importações continuaram a cair, mas menos do que o esperado, com uma redução de 7,6% em termos de valor em dólar e volume na maioria das principais matérias-primas, principalmente cobre e minério de ferro, que cresceram de forma significativa. Isso deixou o país com um superavit comercial de 29,86 mil milhões de dólares (aproximadamente 26,40 mil milhões de euros) para o mês, de acordo com os dados da Administração Geral de Alfândegas da República Popular da China, contra uma previsão de 30,85 mil milhões de dólares.

«Penso que devemos concentra-nos na melhoria superior à esperada na taxa de crescimento das importações, o que significa que a procura interna também está em recuperação, impulsionada pelo investimento em infraestrutura e também pela recuperação do sector imobiliário», advogou Ma Xiaoping, analista do banco HSBC.

Mudança importante

A desaceleração da China pode não ser tão grave como se temia, mas a sua mudança “importante” de crescimento baseado no investimento ainda está ter um efeito inibidor no comércio global, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). «Mesmo os países que têm poucos vínculos comerciais diretos com a China estão a ser afetados com o impacto da desaceleração chinesa sobre os preços das matérias-primas e bens manufaturados, assim como na confiança global e sentimento de risco», referiu o FMI.

Tony Nash, sócio-gerente da consultora Complete Intelligence, que tem como principal foco os fluxos comerciais globais, considera que as exportações e importações da China se vão conseguir estabilizar ao longo dos próximos seis meses. «Quando fecharmos o segundo e terceiro trimestres vamos ver os dados de comércio mais estáveis antes de começarmos a ver pequenos aumentos sustentáveis de ambos os lados», explicou Nash, acrescentando que os dados devem ser menos voláteis no segundo semestre à medida que a moeda e as matérias-primas forem estabilizando.

Economia ainda não está livre de perigo

Os economistas consultados pela Reuters esperavam que as exportações de março subissem 2,5%, depois de terem caído 25,4% em fevereiro – o pior resultado desde maio de 2009 –, e que as importações diminuíssem 10,2%, com base na fraca procura global. «Os dados de outras economias asiáticas sugerem que os ventos contrários no sector do comércio continuam», revelou Zhou Hao, economista do Commerzbank, em Singapura.

Ainda assim, os mercados ficaram aliviados ao ver um aumento na procura da China por matérias-primas, com as chegadas de cobre a baterem um recorde em março, alavancando as importações do primeiro trimestre em 30% face ao ano anterior. As exportações para mercados importantes, como a Europa e os EUA, também registaram ganhos de dois dígitos.

O aumento das exportações da China foi também motivado, em parte, por um movimento bem-sucedido na cadeia de valor por parte dos produtores (ver Nova era na China). «O sector de exportação da China não está a perder competitividade. De facto, a China está a aumentar a sua quota de importações de outros países, embora o volume global do comércio tenha estado, infelizmente, estagnado nos últimos anos», considera o HSBC.

Entretanto, o primeiro-ministro Li Keqiang afirmou que os indicadores económicos da China mostram sinais de melhoria no primeiro trimestre, mas a economia mundial lenta e os mercados voláteis podem minar as conquistas recentes do país. O governo chinês priorizou o crescimento económico para este ano entre os 6,5 e os 7%, em comparação com os 6,9% no ano passado – o ritmo mais fraco num quarto de século.