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Exportações da ITV aceleram em outubro

Os números do INE dão conta de uma aceleração nas exportações entre janeiro e outubro, transversal a todos os sectores. Os envios de vestuário cresceram 1,6%, os de têxteis aumentaram 3,1% e outros artigos confecionados, onde se integram os têxteis-lar, somaram mais 4,9%.

O final do ano parece estar a trazer boas notícias para a indústria têxtil e vestuário (ITV). Os últimos dados para 2018 do INE – Instituto Nacional de Estatística revelam um aumento de 2,4% das exportações das empresas portuguesas desta indústria, para um valor de 4,48 mil milhões de euros, com números positivos para todos os sectores.

No geral, Espanha manteve-se como o principal destino das exportações nacionais de têxteis e vestuário, apesar da queda de 4%, para cerca de 1,45 mil milhões de euros, em comparação com 1,5 mil milhões de euros entre janeiro e outubro de 2017. Para além de Espanha, só o Reino Unido, terceiro destino das exportações nacionais da ITV, e a Suécia, oitavo cliente de Portugal, registaram quebras nas exportações, nomeadamente -3% e -1%.

Pela positiva, destaca-se o crescimento acentuado das vendas para Itália (+35%, equivalente a mais 70 milhões de euros) e Holanda (+13%, representando mais cerca de 22 milhões de euros). Para França, segundo maior mercado para os têxteis e vestuário portugueses, as vendas aumentaram 2%, tal como para os EUA, enquanto para a Alemanha os números ficaram iguais.

Vestuário recupera

Nos primeiros 10 meses de 2018, as exportações portuguesas de vestuário atingiram 2,68 mil milhões de euros, o que equivale a um aumento de 1,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Este valor representa ainda um forte crescimento em outubro, uma vez que, nos números de janeiro a setembro, as exportações de vestuário tinham aumentado apenas 0,6% face aos meses homólogos de 2017.

O mercado extra-UE contribuiu para impulsionar as vendas ao exterior, com um crescimento de 6,3%. Mercados como os EUA (+15,5%) e Canadá (+113,7%) destacaram-se.

Dentro da Europa, os aumentos consideráveis das vendas para Itália (+52%), Suíça (+33,5%) e Países Baixos (+20,2%) compensaram as perdas de vendas para Espanha (-4,5%). A crescer estão igualmente as exportações para França (+1,6%), Suécia (+1,8%), Bélgica (+2,4%) e Dinamarca (+13,4%).

«Felizmente, o caminho da diversificação de mercados tem vindo a ser traçado há alguns anos pelos empresários portugueses da indústria do vestuário e, como tal, as quebras que agora se sentem em Espanha estão a ser equilibradas com as exportações para outros países», afirma, em comunicado, César Araújo, presidente da direção da ANIVEC. «Além disso, o “made in Portugal” conseguiu impor-se em mercados relevantes da moda, como Itália, os EUA e os países do Norte da Europa, onde hoje se valoriza muito a qualidade da confeção nacional», acrescenta.

Têxteis somam mais 3%

De acordo com os dados do INE, a procura de matérias têxteis produzidas em Portugal aumentou, resultando num acréscimo de 3,1% das exportações.

Os maiores crescimentos relativos foram sentidos nas exportações de outras fibras vegetais (+41,2%), tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados (+14,8%) e tecidos especiais, tecidos tufados, rendas, tapeçarias, passamanarias e bordados (+6,1%).

Em termos absolutos, os maiores ganhos foram registados nas mesmas categorias, embora com alteração de posição: tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados (mais 37,8 milhões de euros); fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (mais 23,3 milhões de euros); e tecidos especiais, tecidos tufados, rendas, tapeçarias, passamanarias e bordados (mais 5,73 milhões de euros).

Já em sentido inverso, a maior queda foi sentida na exportação de tecidos de malha, com uma diminuição de 12,8%, para 111,2 milhões de euros, em comparação com 125,45 milhões de euros entre janeiro e outubro de 2017.

Têxteis-lar em ascensão

O maior crescimento, contudo, foi sentido nos têxteis-lar, com a categoria outros artefactos têxteis confecionados a registar um aumento de 4,9% nas exportações, que atingiram os 547,3 milhões de euros, em comparação com 520,3 milhões de euros entre janeiro e outubro de 2017.

Os cobertores e mantas registaram um acréscimo de cerca de 13% nas exportações, que passaram de aproximadamente 16 milhões de euros para 18,3 milhões de euros. As roupas de cama, mesa, toucador e cozinha sentiram um aumento nos envios de 5,2%, para 430,3 milhões de euros, enquanto os artefactos para guarnição de interiores incrementaram as exportações em 2,3%, para 38,3 milhões de euros. Os envios de cortinados subiram 1,8%, para cerca de 7,1 milhões de euros.

A balança comercial evidencia um saldo positivo de 904 milhões de euros e uma taxa de cobertura de 125%.