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Exportações da ITV acentuam crescimento face a 2019

Nos primeiros oito meses do ano, as exportações de matérias têxteis aumentaram 1,2% face ao mesmo período de 2019, acentuando a retoma que se começou a sentir nas comparações até julho. Outros artefactos têxteis confecionados, onde se incluem os têxteis-lar, algodão e vestuário de malha registam as melhores performances.

Entre janeiro e agosto de 2021, as empresas portuguesas exportaram 3,58 mil milhões de euros de matérias têxteis e suas obras, um aumento de 16,8% face ao período homólogo de 2020, equivalente a mais 514,7 mil euros, e de 1,2% em comparação com os primeiros oito meses de 2019, o ano pré-pandemia (entre janeiro e julho, o crescimento tinha sido de 0,2%).

Entre as categorias com maior crescimento destaca-se a denominada outros artefactos têxteis confecionados, onde se inclui a grande maioria dos têxteis-lar, que aumentou as vendas ao exterior em +4,8% face ao mesmo período de 2020 e +29% nas comparações com 2019, para 532 milhões de euros. O crescimento está a ser impulsionado sobretudo pelo aumento das vendas de roupa de cama, mesa, toucador ou cozinha (+43,3% face a 2020 e +24,9% em comparação com 2019), para 396,4 milhões de euros, e de encerados e toldos, tendas, velas para embarcações, para pranchas à vela ou para carros à vela, artigos para acampamento, de qualquer matéria têxtil (+67,9% na comparação com o mesmo período de 2020 e +57,6% com 2019), para 14,6 milhões de euros. A subcategoria artefactos têxteis confecionados, onde se incluem as máscaras, continua com vendas bastante superiores a 2019 (50,2 milhões de euros em comparação com 22,3 milhões de euros em 2019), mas está em forte queda face a 2020 (altura em que atingiu 171,9 milhões de euros).

A categoria algodão regista igualmente uma subida nas vendas ao exterior: +32% face a 2020 e +25% face a 2019, para 124,6 milhões de euros. O crescimento faz-se essencialmente com os tecidos de algodão com peso igual ou superior a 200 g/m2 e com 85% ou mais de algodão (53,8 milhões de euros nos primeiros oito meses de 2021, em comparação com pouco mais de 40 milhões de euros tanto em 2020 como em 2019) e fios de algodão (exceto linhas de costura) contendo, em peso = > 85%, de algodão, não acondicionados para venda a retalho (cujas exportações somaram 33,1 milhões de euros nos primeiros oito meses do ano, face aos cerca de 22 milhões de euros nos dois anos anteriores). Há ainda um crescimento relativo muito acentuado das vendas de algodão cardado ou penteado (de quase 160% na comparação com 2020 e de 13.800% face a 2019), embora em valores absolutos represente pouco mais de 2,24 milhões de euros.

César Araújo

O vestuário, por seu lado, prossegue a duas velocidades. O vestuário em malha registou um aumento das vendas para os mercados externos de 29,3% face a 2020 e de 6,87% na comparação com 2019, para 1,56 mil milhões de euros. Já o vestuário em tecido, embora tenha sentido uma maior procura do que em 2020 (+2,3%), continua com uma queda considerável (-23,6%, equivalente a menos 157,8 milhões de euros) em comparação com os primeiros oito meses de 2019, com vendas de 511,1 milhões de euros.

«No conjunto, as exportações de vestuário continuam a evoluir positivamente, aproximando-se dos valores pré-pandemia, o que demonstra a capacidade de resiliência do sector. No entanto, reiteramos que esta recuperação está a ser conseguida com desempenhos muito distintos», destaca, em comunicado, César Araújo, presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção. «Por um lado, temos o vestuário de malha, com uma evolução francamente positiva em diversos mercados de referência. Por outro lado, assistimos ainda a algumas dificuldades no vestuário em tecido, onde, por exemplo, o mercado espanhol, com um peso na ordem de 35% das exportações, permanece quase 39% abaixo do valor de 2019. Mas este também é um subsector que recuperará muito rapidamente com a consolidação do desconfinamento e o regresso da normalidade da vida social», acredita.

Top 10 cresce a dois dígitos

Entre os 10 principais mercados dos têxteis e vestuário portugueses, praticamente todos registam um aumento percentual de dois dígitos nas compras a Portugal em comparação com 2019.

Mário Jorge Machado

As exceções são Espanha e a Alemanha. O primeiro, embora esteja a recuperar face a 2020 (+15,9%), continua em queda face a 2019 (-16,4%). «No período em análise, e comparando com 2019, as exportações para Espanha, principal cliente da ITV portuguesa, registaram uma quebra de 178 milhões de euros, tendo sido o destino mais afetado», salienta, num comunicado assinado pelo presidente Mário Jorge Machado, a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. Já a Alemanha aumentou as compras apenas num dígito (+5,2%) nos primeiros oito meses deste ano em comparação com os períodos homólogos de 2019 e também de 2020.

O maior crescimento, entre os principais mercados, sentiu-se na Dinamarca, que aumentou em +27,8% as compras a Portugal face aos primeiros oito meses de 2019 e em +24,3% na comparação com 2020, para 68,5 milhões de euros, e nos EUA (+24,6% face a 2019 e +36,1% face a 2020, para 285,1 milhões de euros). Este último mercado está a comprar sobretudo têxteis-lar, com um aumento, na comparação com 2019, de 33,1 milhões de euros nas compras de roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha, e vestuário em malha, onde comprou mais 28 milhões de euros do que em igual período de 2019.

Também o mercado francês, que é o segundo mais importante para as exportações nacionais de têxteis e vestuário, tem vindo a crescer, tendo registado uma subida de 14,7% nas compras face aos primeiros oito meses de 2019 e de 4,7% em comparação com 2020, para um total de 522,2 milhões de euros. Os aumentos têm sido impulsionados essencialmente pelo vestuário em malha (que representou 238,6 milhões de euros nos primeiros oito meses deste ano, mais 38,3 milhões de euros do que em igual período de 2019) e pela categoria outros artefactos têxteis confecionados (com um crescimento de 22 milhões de euros em comparação com 2019, dos quais cerca de 15 milhões correspondem a compras de roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha).

De acordo com a ATP, «a balança comercial do sector registou um saldo positivo de 1.039 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 141%».