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Exportações da ITV regressam ao verde

Agosto trouxe notícias positivas para a indústria têxtil e vestuário, com as comparações com o mesmo mês do ano passado a mostrarem um ligeiro aumento de 0,2%. Entre janeiro e agosto os números também melhoraram, com as exportações de matérias têxteis e suas obras a registarem uma quebra de 13,5%.

Em agosto, as exportações de têxteis e vestuário subiram para 355,3 milhões de euros, com o contributo, segundo a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, dos “produtos Covid” – englobados, nos artefactos têxteis confecionados, que registaram um aumento de 449%, equivalente a 10 milhões de euros – mas também das matérias-primas de algodão (+19,7%), tecidos especiais (+15,7%), tecidos de malha (+12,2%) e pastas, feltros e artigos de cordoaria (+3,2%).

No total, nos primeiros oito meses do ano, as exportações de têxteis e vestuário somaram 3,06 mil milhões de euros, em comparação com os 3,54 mil milhões de euros registados no mesmo período do ano passado, revelando uma recuperação face ao mês anterior.

Mário Jorge Machado

Em comunicado, Mário Jorge Machado, presidente da ATP, aponta que «de janeiro a agosto, exportámos mais 29 milhões de euros para França (+6,4%) e mais 4,7 milhões de euros (+419%) para o Chipre, tendo estes sido os destinos que registaram maiores crescimentos em termos absolutos. Inversamente, para Espanha exportámos menos 291 milhões de euros (-27%) e para Itália menos 28 milhões de euros (-13%), os dois destinos com maiores quedas».

Por subsectores, ainda de acordo com os dados da associação, os têxteis-lar e outros artigos têxteis confecionados registaram um aumento das exportações de 11,2%, para 517 milhões de euros, enquanto os têxteis sentiram uma descida de 13,2%, para 823 milhões de euros.

Vestuário mais prejudicado

O vestuário, que é responsável pela maioria das exportações da ITV, tem sido o mais afetado pela pandemia, com uma queda que ascendeu a 19% entre janeiro e agosto de 2020, para 1,72 mil milhões de euros.

Segundo a ANIVEC, Espanha registou a queda mais acentuada, com menos 32,5%, para 570,4 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 275,2 milhões de euros. Todos os principais mercados do vestuário made in Portugal registaram quebras neste período de oito meses, incluindo França (-6,7%), Alemanha (-4%), Reino Unido (-10,4%) e Itália (-6,6%).

César Araújo

As exportações de vestuário para os EUA, que são o maior mercado fora da Europa, registaram uma queda de 15,2%.

Tendo apenas agosto em consideração, os dados são mais positivos, com uma descida de 5,2%, para 217 milhões de euros.

«Esta queda mais baixa em agosto justifica-se, em grande parte, pelo facto de muitas empresas terem antecipado as férias e, por isso, estiveram a trabalhar em agosto, ao contrário do que é habitual», aponta César Araújo, presidente da ANIVEC.

O dirigente associativo sublinha ainda que, «embora os números tenham vindo a melhorar, a atual situação, com vários países a decretarem já confinamentos em algumas regiões, vai certamente ter um forte impacto nos próximos meses, sobretudo ao nível do vestuário mais formal: as pessoas em casa não vão comprar vestuário que normalmente é usado no trabalho em escritório ou em festas. A incerteza é muito grande e as perspetivas não são positivas».