Início Breves

Exportações da ITV têm novo recorde

Em 2018, a indústria têxtil e vestuário portuguesa exportou 5,31 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre. O número representa um aumento de 1,9% face ao ano de 2017 e foi impulsionado pelas exportações de tecidos impregnados, fibras sintéticas ou artificiais, tecidos especiais e vestuário e seus acessórios, de malha.

Embora as exportações para o mercado comunitário representem ainda 82,3% de tudo o que a indústria têxtil e vestuário vende ao exterior, foram os envios para fora da União Europeia que mais cresceram, com um aumento de 4,7%, para 939,6 milhões de euros.

Em termos dos artigos mais exportados, o vestuário de malha continua a dominar, representando mais de 40% do total exportado. Os envios deste tipo de vestuário aumentaram 3,2% face ao ano anterior, para 2,22 mil milhões de euros. Já as exportações de vestuário exceto malha caíram 2,3% no final do ano, para 971,9 milhões de euros. Em conjunto, as exportações de vestuário atingiram os 3,19 mil milhões de euros, mantendo um ciclo de crescimento que vem desde 2010.

«Este é o resultado de um caminho árduo de diversificação de mercados que as empresas assumiram já há alguns anos», destaca em comunicado César Araújo, presidente da direção da ANIVEC. «Confirma-se a queda para Espanha, que continua a ser o nosso principal mercado de exportação, mas confirma-se também que essa descida foi compensada pela subida noutros mercados, nomeadamente Itália e EUA, que procuram artigos com maior valor acrescentado», aponta.

«Num cenário em que já se sente algum arrefecimento da economia internacional, estes resultados nas exportações são um sinal francamente positivo para a indústria do vestuário», considera César Araújo.

Tecidos de malha não resistem

Embora o crescimento percentual mais elevado tenha sido sentido nas exportações de outras fibras têxteis vegetais (+49,8%, para 7,5 milhões de euros), foram os aumentos nos tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados, nos tecidos especiais e nas fibras sintéticas ou artificiais descontínuas que impulsionaram as exportações em 2018.

Os tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados cresceram 16,3% no mercado externo, para exportações na ordem dos 300 milhões de euros. A Alemanha foi o principal destino deste tipo de produto, com quase 43 milhões de euros em exportações. Seguiu-se Espanha (31 milhões de euros), Roménia (20,3 milhões de euros), França (20,2 milhões de euros) e Eslováquia (18,6 milhões de euros).

Os envios de fibras sintéticas ou artificiais descontínuas aumentaram 7,7%, para 271,4 milhões de euros, tendo como maiores destinos Espanha (48,1 milhões de euros), Alemanha (29,9 milhões de euros), Itália (28,2 milhões de euros), Reino Unido (21,4 milhões de euros) e China (17,7 milhões de euros).

A categoria dos tecidos especiais, que engloba também tecidos tufados, rendas, tapeçarias, passamanarias e bordados, registou uma subida de 5,7%, para 110 milhões de euros. Espanha, Alemanha, Polónia, República Checa e Suécia foram os principais mercados.

Em sentido inverso, a principal queda foi sentida nos tecidos de malha, que perderam 11,2% nas exportações de 2018 face a 2017, para um valor de 131,6 milhões de euros. Espanha foi a grande responsável por esta queda, com uma diminuição das compras de 19,7%, para 40,3 milhões de euros, em comparação com os 50,2 milhões de euros em 2017. Também em França, o segundo mercado dos tecidos em malha portugueses, houve uma redução de 18%, equivalente a uma perda de 4,5 milhões de euros, assim como para Itália, para onde as exportações baixaram 17,7%, representando uma diminuição de 1,45 milhões de euros.

Espanha cai, Itália compensa

Em termos gerais, Espanha foi o principal mercado em destaque. Apesar de continuar a ser, de longe, o grande mercado das exportações portuguesas de têxteis e vestuário, o país comprou menos 3,9% às empresas portuguesas, num total de 1,69 mil milhões de euros, o que representa uma perda de 68 milhões de euros.

O top cinco dos maiores mercados da ITV portuguesa completa-se com França (+1,2%), Alemanha (-1,3%), Reino Unido (-3,3%) e Itália. Este último foi, de resto, um dos que registou maiores crescimentos (+34,8%, para 330 milhões de euros), quase compensando sozinho as perdas sentidas em Espanha, Alemanha e Reino Unido.