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Exportações de tecidos de algodão aguentam golpe

Tecidos de algodão, luvas em malha e em tecido, artigos de cordoaria, vestuário em feltro ou não-tecido e camisas de malha de uso masculino são algumas das categorias de produtos que estão a prosperar e a resistir à queda generalizada das exportações, que entre janeiro e abril atingiu os 15% face ao mesmo período de 2019.

No total, nos primeiros quatro meses do ano, as exportações portuguesas de matérias têxteis registaram uma perda de 268 milhões de euros, para 1,53 mil milhões de euros, em comparação com cerca de 1,8 mil milhões de euros faturados no ano passado no mercado externo.

Esta descida foi acentuada pelos dados de abril: em comparação com o mesmo mês do ano passado, as exportações caíram 42,6%, para 247,4 milhões de euros, enquanto na comparação com março de 2020, a queda foi de 36,1%.

Em termos de mercados, os envios para fora da União Europeia mantiveram números positivos nos primeiros quatro meses do ano, com um aumento de 22,3%. Além dos EUA, que neste período aumentaram as suas compras a Portugal em 2,5%, para 111,8 milhões de euros, destacam-se, por ordem dos mercados mais relevantes, as exportações para a Suíça (+1,6%, equivalente a 341 mil euros), Trinidad e Tobago (+24,6% ou 944 mil euros), Coreia do Sul (+21,8%, equivalente a 687,5 mil euros), Cabo Verde (+17,4% ou 385,6 mil euros), Nicarágua (+148% ou 1,46 milhões de euros), Argélia (+29,6%, equivalente a 540 mil euros), Arábia Saudita (+21,3%, equivalente a 407,1 mil euros) e Colômbia (+39,3% ou 467,4 mil euros).

Em sentido contrário, e entre os 10 mercados mais significativos, Espanha registou a maior diminuição nas compras de têxteis e vestuário a Portugal, com uma redução de 25,6%, superior a 139,5 milhões de euros. França, Reino Unido, Itália e Países Baixos registaram igualmente quedas, na casa dos 11%.

Tecidos resistem

A queda nas exportações foi sentida em praticamente todas as categorias, com exceção das pastas (outes), feltros e falsos tecidos, que inclui fios especiais, cordéis, cordas e cabos e artigos de cordoaria, onde os envios subiram 7,7%, equivalente a mais 8 milhões de euros, para 111,6 milhões de euros.

A análise das subcategorias, contudo, revela que há produtos que estão a registar aumentos de procura, mesmo nas categorias que estão em queda.

É o caso dos tecidos de algodão, quer com mais de 85% de algodão e com peso superior a 200 g/m², combinados, principal ou unicamente, com fibras sintéticas e artificiais (+38,7%, equivalente a um aumento de 1,6 milhões de euros, para 5,7 milhões de euros), quer os que têm 85% ou menos em algodão com peso igual ou superior a 200 g/m² (+8,3%, equivalente a mais 1,7 milhões de euros, para 21,7 milhões de euros). Já os tecidos de algodão com menos de 85% de algodão registaram um crescimento de 6,1%, o que representa mais 75 mil euros, para 1,3 milhões de euros.

Os tecidos turcos e tecidos tufados (+6,8%), os tecidos em ponto de gaze (+216,7%), a subcategoria de tecidos revestidos de cola ou de matérias amiláceas do tipo utilizado na encadernação, cartonagem ou usos semelhantes, que inclui igualmente telas para decalque e telas transparentes para desenho, telas preparadas para pintura, entretelas e tecidos rígidos semelhantes do tipo utilizado em chapéus e artefactos de uso semelhante (+67,7%) e os tecidos de fibras artificiais descontínuas (+13,2%) registaram também números positivos nas exportações.

Vestuário com pontos verdes

No vestuário, que em conjunto teve uma quebra de 47,6%, para 130,5 milhões de euros, em abril e de 17% no acumulado de janeiro a abril, para 1,07 mil milhões de euros, há artigos que continuam a somar exportações.

As luvas são um desses exemplos. As luvas, mitenes e semelhantes, de malha (exceto para bebés) aumentaram em 15,3% as exportações, equivalente a mais 1,08 milhões de euros, enquanto as luvas, mitenes e semelhantes, de qualquer matéria têxtil (exceto de malha, assim como, luvas para bebés) subiram 89,5%, equivalente a 88,5 mil euros.

Já a subcategoria de camisas de malha, de uso masculino (exceto camisas de noite, t-shirts e camisolas interiores) aumentou as exportações em 13,9%, equivalente a 4,8 milhões de euros, para 39,3 milhões de euros.

De igual forma, a subcategoria de vestuário confecionado com feltros ou falsos tecidos, mesmo impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados, assim como, vestuário confecionado com tecidos (exceto de malha), com borracha ou impregnados, revestidos ou recobertos com plástico ou com outras matérias (exceto vestuário para bebés, assim como, acessórios de vestuário) evidenciou um incremento de 79,7%, equivalente a 1,95 milhões de euros, para 4,4 milhões de euros.

O maior aumento das exportações, no entanto, foi registado na subcategoria artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário, não especificados nem compreendidos noutras posições, com uma subida de 161%, equivalente a 13,9 milhões de euros, para 22,6 milhões de euros.