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Exportações em vias de crescimento

As indústrias de vestuário e calçado do 8.º maior produtor mundial de algodão estão a exportar mais, na sequência dos progressos realizados pelo governo do Uzbequistão com o programa de liberalização do país que, há três anos, era um estado pós-soviético sem reformas.

Um dos principais objetivos do país é trocar as exportações de algodão bruto pelas vendas externas de têxteis e vestuário com valor acrescentado, notícia o just-style.com. O Uzbequistão tem vindo a implementar reformas desde que o presidente Shavkat Mirziyoyev chegou ao poder, em 2016, depois da morte de Islam Karimov, o único chefe de Estado do país depois da independência. Por consequência, foi definida uma estratégia de reforma de 2017 a 2021 para a indústria têxtil e vestuário que envolve privatização, liberalização, reforma fiscal e desenvolvimento das exportações.

Embora o Uzbequistão continue a ser o 8.º maior produtor mundial de algodão e o 11.º maior exportador segundo a Comissão de Estado das Estatísticas do Uzbequistão, o governo quer aniquilar todas as exportações de algodão bruto, uma vez que o objetivo é atingir um aumento de 340% no valor das exportações de vestuário, para gerar receitas anuais de cerca de 6.3 mil milhões de euros até 2025.

Uma análise recente da Comissão de Estado das Estatísticas do Uzbequistão afirma que as exportações estão em crescendo, fruto da duplicação das vendas externas nos últimos dois anos, que registaram um total de faturação de cerca de 1.5 mil milhões de euros no último ano. Contudo, quase 50% desse valor verifica-se devido ao fio e não ao vestuário propiamente dito.

O relatório refere que o ministério da Economia e da Indústria do Uzbequistão e a Associação da Indústria Têxtil do Uzbequistão foram «instruídos para aumentar o segmento de produtos acabados nas exportações». No entanto, estas entidades partem de um valor baixo, uma vez que, segundo os dados comerciais da Comunidade de Estados Independentes pós-soviética (CEI), as exportações de vestuário e acessórios de malha do Uzbequistão atingiram apenas cerca de 170 mil milhões de euros, com a Rússia, Suíça, China e Turquia como principais mercados.

Produção de couro

Uma projeção de crescimento das exportações foi também apontada como meta pelo governo e pelo ministério do Comércio Externi e pela Associação da Indústria do Couro, que está incumbida de duplicar o volume das exportações de artigos de couro, incluindo sapatos e bolsas.

Concretizar este objetivo será possível ao investir-se mais nos processos completos de couro e ao expandir a produção de sapatos e bolsas para mulher, assim como a produção de equipamentos desportivos e outros produtos acabados de couro. A Comissão das Estatísticas argumenta que a indústria do couro e calçado do Uzbequistão «tem um potencial de exportação de, pelo menos, 1,4 mil milhões de euros e que, atualmente, esse número não chega a atingir cerca de 180 milhões de euros».

Trabalho forçado e relações comerciais

Como consequência de uma indústria de vestuário em desenvolvimento, podem surgir alegações de trabalho forçado no que diz respeito à produção de algodão, uma matéria-prima fundamental para os fabricantes de tecido uzbeques. Estas acusações excluíram as importações americanas de algodão uzbeque em 2010, um cenário que se tem vindo a alterar consoante as preocupações com o trabalho infantil vão diminuindo.

No entanto, a Global Legal Action Network (GLAN) está a colaborar com o Uzbek – German Forum for Human Rights para levar o caso aos tribunais britânicos. Desta forma, pode demonstra-se que a União Europeia está a violar as próprias políticas comerciais ao oferecer ao Uzbequistão acesso tarifário preferencial aos mercados da UE, sem uma prova real de que o país já não adota mais práticas de trabalhado forçado.

Até que isso se comprove, é impossível negar o lançamento de reformas no Uzbequistão. Em setembro, o governo anunciou que 76 grupos de empresas têxteis e de algodão foram instituídos para introduzir novas tecnologias e inovações para aumentar a produtividade no trabalho e os salários na indústria. No mesmo mês, um evento do governo destacou o facto de estar a ser usada uma abordagem semelhante no Uzbequistão para desenvolver a indústria da seda, promovida pela associação da indústria da seda Uzbekipaksanoat e pelo ministério da Economia e da Indústria.

Em comunicado, o ministério referiu estar a desenvolver «projetos de investimento para a produção de produtos para exportação, bem como o envolvimento de profissionais qualificados no sector através da cooperação com instituições de investigação e produtores estrangeiros».

O relatório Global Go To Think Tank Index Report classificou um novo centro de desenvolvimento económico do Uzbequistão com a 50.ª posição na lista de 2017, o que fez com que algumas instituições da indústria tentassem aproveitar este avanço. Exemplo disso foi a reunião entre a Câmara de Comércio e Indústria do Uzbequistão e a empresa de desenvolvimento exterior da Malásia Matrade em outubro, para debater as oportunidades referentes às importações e exportações.

Em novembro, realizou-se um fórum de negócios sino-uzbeque, em Tashkent, para celebrar a abertura de um escritório da Câmara Internacional de Sichuan no Uzbequistão, que melhorou as relações entre o país asiático e a província chinesa. Ainda em novembro, a câmara uzbeque reuniu com empresários turcos líderes para discutir uma potencial cooperação face aos planos de liberalização da economia do Uzbequistão.

A coligação dos direitos dos trabalhadores, Cotton Campaign, debateu a criação de reformas com o governo do Uzbequistão em Washington, para acabar com o trabalho forçado na colheita de algodão.