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Exportações melhores em junho

Em comparação com o mesmo mês do ano passado, as exportações da ITV baixaram 14,3% em junho – em maio a queda tinha sido de 32% face ao mês homólogo. Em termos acumulados, os números são igualmente mais positivos, com as exportações a caírem 17,4% em comparação com 18,6% nos primeiros cinco meses do ano.

No total, as empresas da indústria têxtil e vestuário (ITV) exportaram 354,8 milhões de euros em junho, em comparação com os 414 milhões de euros registados no período homólogo de 2019.

A descida foi comum a, praticamente, todas as categorias de produtos, com exceção, entre os capítulos mais relevantes, das pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, onde se incluem também artigos de cordoaria, com um aumento de 18,2%, para 2,5 milhões de euros, e de outros artefactos têxteis confecionados (+39,8%, para 69,6 milhões de euros), onde a subcategoria artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário, não especificados nem compreendidos noutras posições continua a suportar o crescimento.

Em sentido contrário, o vestuário e seus acessórios, exceto malha sentiram a maior retração nas exportações (-36,9%), equivalente a uma perda de 27,6 milhões de euros, enquanto no vestuário e seus acessórios, em malha, a queda foi de 20,1% em junho, representando menos 34,7 milhões de euros.

Em termos de mercados, França foi o que mais cresceu em junho – um aumento de 27,8%, equivalente a 15,3 milhões de euros, para 70,3 milhões de euros. Os franceses compraram mais artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário, não especificados nem compreendidos noutras posições (+7.686,9%, equivalente a mais 18,3 milhões de euros), mas também mais tecidos especiais, onde se incluem rendas, tapeçarias e bordados (+120,8%), tecidos de malha (+18,8%) e roupas de cama, mesa toucador ou cozinha (+2,6%).

Entre os 10 principais mercados, registara-se ainda ligeiros aumentos das exportações para a Bélgica (+1,7%) e Dinamarca (+0,6%).

Semestre fecha com menos 17,4%

No acumulado nos primeiros seis meses do ano, as exportações baixaram 17,4% – ainda assim uma recuperação face à queda acumulada entre janeiro e maio, que ascendeu a 18,6%.

Entre as categorias de exportação, apenas três se mantêm “no verde”: outros artefactos têxteis confecionados, sobretudo devido à subcategoria artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário, não especificados nem compreendidos noutras posições (+8,3%, para 324,3 milhões de euros); outras fibras têxteis vegetais (+6,7%, para 4,4 milhões de euros); e pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, fios especiais, cordéis, cordas e cabos e artigos de cordoaria (+6,5%, para 164,9 milhões de euros).

As quebras são, contudo, mais acentuadas, nomeadamente na categoria tapetes e outros revestimentos para pavimentos, de matérias têxteis (-32,4%, para 26,9 milhões de euros), tecidos especiais, tecidos tufados, rendas, tapeçarias, passamanarias e bordados (-29,5%, para 42,6 milhões de euros), e lã, pelos finos ou grosseiros, fios e tecidos de crina (-26,2%, para 25,1 milhões de euros).

As duas categorias mais relevantes nas exportações – vestuário e seus acessórios, em malha (-20,5%) e vestuário e seus acessórios, exceto malha (-27,9%) – também registaram quedas relevantes, que, em conjunto, ascendem a 25,2%.

A maior redução foi sentida nos envios para Espanha (-37,9%), seguida dos Países Baixos (-20,4%) e Reino Unido (-17,9%).

«Apesar dos números não serem tão negativos como o esperado, uma queda de 25% num sector tão exportador como o vestuário é dramática», destaca César Araújo, presidente da ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção, em comunicado. «Há muitas empresas que estão em dificuldades, com falta de encomendas, e é absolutamente fulcral o apoio do Governo nesta altura – caso contrário, o know-how existente nesta indústria, que permite que Portugal mantenha a sua boa reputação na Europa e no Mundo, corre o risco de desaparecer», acrescenta.