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Exportações para França sobem em maio

Os números de maio mostram a já esperada queda nas exportações em quase todos os principais mercados e praticamente todo o tipo de produto. A exceção é França, com uma subida de 21%, e a categoria de outros têxteis confecionados, que no quinto mês do ano registou uma subida de 35%.

Os dados divulgados hoje pelo INE dão conta de uma descida de 32% nas exportações em maio, para 316 milhões de euros, em comparação com 464,5 milhões de euros no mesmo mês do ano passado, acentuando a tendência de queda registada em março e abril.

Entre as categorias de produto mais relevantes, a redução no vestuário e seus acessórios, de malha foi de 39,2%, para 112,8 milhões de euros, em comparação com 185,9 milhões de euros em maio do ano passado, enquanto no vestuário e seus acessórios exceto de malha, a quebra foi de 46%, para 39,1 milhões de euros, face a 85,2 milhões de euros no período homólogo de 2019. A queda foi igualmente acentuada nas categorias de fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (-43,8%, ou menos 11,4 milhões de euros), algodão (-25,3%, equivalente a 3,8 milhões de euros) e nos tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados (-37,8% ou menos 9,9 milhões de euros).

A exceção foi mesmo a categoria outros artefactos têxteis confecionados, com uma subida de 35% das exportações em maio, para 69,1 milhões de euros, em comparação com 51,1 milhões de euros em maio de 2019. Este aumento foi alimentado pela subcategoria artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário, não especificados nem compreendidos noutras posições, que registou um crescimento de 1.214%, equivalente a mais 33,2 milhões de euros.

Em termos de mercados, e entre os 10 principais, apenas França comprou mais a Portugal do que no mesmo mês do ano passado, com uma subida de 21,3% das exportações. Este crescimento foi suportado pelo aumento das exportações de outros artefactos têxteis confecionados (+260%, equivalente a cerca de 20 milhões de euros) e de tecidos de malha (+36,8%, que representa mais 700 mil euros).

Cinco meses a descer

No acumulado do ano, as exportações de têxteis e vestuário desceram 18,6%, para 1,84 mil milhões de euros, em comparação com os 2,26 mil milhões de euros registados no mesmo período de 2019.

Entre as categorias mais afetadas está o vestuário: -27,1% no vestuário e seus acessórios, exceto malha; e -20,7% no vestuário e seus acessórios, de malha. No conjunto das duas categorias, as exportações de vestuário caíram 22,7%, equivalente a menos 303,9 milhões de euros.

«Esta queda nas exportações é significativa e impossível de recuperar no resto do ano», sublinha, em comunicado, César Araújo, presidente da ANIVEC. «Este é o terceiro mês de redução abrupta nas encomendas, resultado do confinamento que ainda se vive um pouco por todo o mundo e que faz com que a retoma seja muito lenta», acrescenta.

«As empresas do vestuário e confeção continuam a ser fortemente prejudicadas pela quebra no consumo e é impossível para os empresários, face a esta conjuntura, manter o mesmo número de trabalhadores quando não há encomendas. É uma necessidade absoluta que o Governo mantenha mecanismos de apoio, como o modelo de lay-off simplificado, para evitar despedimentos e manter a sustentabilidade desta indústria, que representa uma parte significativa da economia do país», aponta César Araújo.

A queda foi ainda acentuada nos tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados (-22,5%, equivalente a menos 28,7 milhões de euros) e nas fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (-25% ou 31,8 milhões de euros). As únicas categorias ainda “no verde” são as pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, que também inclui artigos de cordoaria (+4,2%) e outras fibras têxteis vegetais (+2%).

Apesar da quebra generalizada na maioria dos produtos têxteis, a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal aponta, citada num artigo da Lusa publicado pelo ECO, que entre as exceções estão «as exportações de produtos relacionados com a proteção contra a pandemia de Covid-19, em particular as máscaras (incluídas nos artigos têxteis confecionados, que desde o início do ano registaram um aumento de quase 48 milhões de euros) e o vestuário de proteção, como batas hospitalares (com um aumento de cerca de cinco milhões de euros)».

Nos que respeita aos mercados, e tendo em conta os dados entre janeiro e maio, nenhum dos que ocupam as primeiras 10 posições tem uma evolução positiva face aos mesmos cinco meses de 2019, com as descidas mais acentuadas a sentirem-se no mercado espanhol (-33,2%, representando uma perda de 228,2 milhões de euros), no Reino Unido (-15,4% ou 25,7 milhões de euros) e em Itália (-11,7%, equivalente a menos 16,6 milhões de euros).