Início Notícias Têxtil

Exportações pintam cenário menos negro

Os números divulgados hoje mostram uma recuperação das exportações da ITV em julho, aliviando as quebras no segundo trimestre. Nos primeiros sete meses, a queda foi de 15,2%, inferior à do primeiro semestre, e a categoria outros artefactos têxteis confecionados, onde se incluem têxteis-lar e máscaras, cresceu mais de 12,7%.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre janeiro e julho, as exportações da indústria têxtil e vestuário atingiram 2,7 mil milhões de euros, menos 483,2 milhões de euros do que em igual período do ano passado, representando uma descida de 15,2% – inferior aos 17,4% dos primeiros seis meses do ano.

As quedas rondam os 20% na maior parte das categorias, sendo mais acentuada no caso do vestuário e seus acessórios, exceto de malha onde ascende a 28% (equivalente a menos 167 milhões de euros). Em termos absolutos, contudo, a categoria que mais recuou foi a do vestuário e seus acessórios, de malha, com uma perda de 225,5 milhões de euros (-17,3%).

Há, contudo, categorias que estão a crescer. É o caso das pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, que inclui também artigos de cordoaria, que somou mais 6,7% em exportações entre janeiro e julho deste ano, e dos outros artefactos têxteis confecionados, onde constam a maioria dos têxteis-lar e também as exportações de máscaras, que viu os envios de produtos para o estrangeiro aumentar 12,7%, para 412,3 milhões de euros, ou seja, mais 46,5 milhões de euros do que nos mesmos meses de 2019.

Em termos de mercados, Espanha continua em queda, com menos 29,4% de exportações com destino ao país, o que representa uma perda de 286 milhões de euros. Itália (-13,9%), Países Baixos (-12,5%), EUA (-10%) e Reino Unido (-8,5%) compraram igualmente menos matérias têxteis e suas obras a Portugal.

Já os envios para França estão a crescer (+4,9%), assim como, ainda que timidamente, para a Bélgica (+1,1%) e Dinamarca (+0,7%).

Resultados melhores em julho

Estes resultados acumulados melhoraram graças à performance das exportações em julho, que registaram uma quebra de 7,8%, inferior aos meses anteriores (-14,3% em junho).

O crescimento na categoria de outros artefactos têxteis confecionados foi de 13,7%, com números positivos também nas categorias outras fibras têxteis vegetais (+80,4%, para 609 mil euros), pastas (ouates), feltros e falsos tecidos (+7,7%, para 27,8 milhões de euros) e tecidos especiais, que inclui rendas e tapeçarias (+3,2%, para 10,5 milhões de euros).

Já nas categorias mais representativas, o vestuário e seus acessórios, de malha registou uma descida de 4,8%, para 212,8 milhões de euros, e o vestuário e seus acessórios, exceto de malha sentiu uma quebra de 27,7%, para 74,1 milhões de euros – em conjunto, as duas categorias registaram um recuo de 12%.

César Araújo, presidente da ANIVEC, refere em comunicado que «os números divulgados hoje mostram que a indústria de vestuário portuguesa é, de facto, competitiva e, perante as dificuldades, tem conseguido resistir e agarrar os clientes internacionais». No entanto, adverte, «estes números resultam de encomendas de produtos com menor valor unitário e com prazos de entrega muito curtos, pelo que a incerteza continua a marcar o dia a dia das empresas. O consumo ainda não recuperou e os stocks, sobretudo os das coleções de primavera-verão, acumularam-se, o que faz com que os próximos meses sejam uma incógnita».