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Exportações recuperam fôlego em julho

Embora as comparações se mantenham no vermelho, as exportações da indústria têxtil e vestuário recuperaram em julho. Os principais contributos foram dados pelo vestuário e seus acessórios, exceto de malha, e pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, assim como, nos mercados, pela América do Norte.

No total, entre janeiro e julho deste ano, os envios de matérias têxteis baixaram 0,9%, para 3,21 mil milhões de euros, em comparação com 3,24 mil milhões de euros no mesmo período do ano passado. No entanto, este valor representa uma recuperação, uma vez que entre janeiro e junho a queda estava já em 1,55%. Em julho, a indústria têxtil e vestuário vendeu 531 milhões de euros, o que representa um aumento de 17,7 milhões de euros em comparação com o mesmo mês de 2018.

As exportações de vestuário e seus acessórios, exceto de malha, foi a categoria que mais pesou positivamente em termos absolutos, com uma subida de cerca de 25 milhões de euros (+4,3%) nos primeiros sete meses do ano, face ao período homólogo de 2018. A outra categoria que mais somou às exportações foi pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, que acrescentou mais 16,9 milhões de euros (+10,3%).

Estes crescimentos foram, contudo, contrabalançados pelas perdas nas exportações de vestuário e seus acessórios, de malha, que somam já 36 milhões de euros (-2,7%), e nas exportações de outros artefactos têxteis confecionados, que incluem a maioria dos têxteis-lar, que ascendem a 14,1 milhões de euros (-3,7%), nos primeiros sete meses de 2019.

No que concerne aos mercados, e pela positiva, França voltou “ao verde”, com um aumento de 1,1%, que representa um acréscimo de 4,4 milhões de euros. Dentro da Europa destaque ainda para Itália, que entre janeiro e julho comprou mais 4,2 milhões de euros.

EUA e Canadá crescem

Fora da União Europeia – as exportações extra-UE aumentaram 5,5%, para 586,9 milhões de euros –, os EUA e o Canadá adicionaram, em conjunto, mais 23 milhões de euros em comparação com o ano passado, para um total de 230,4 milhões de euros.

Os EUA, em termos específicos, foram responsáveis por 197,5 milhões de euros de exportações, centradas sobretudo em outros artefactos têxteis confecionados, que incluem a maioria dos têxteis-lar (+8,7%, para 66,7 milhões de euros), e em vestuário e seus acessórios, de malha (+9%, para 37,5 milhões de euros). A crescer estão igualmente os envios de tecidos de malha, que subiram 45,7%, para 9,6 milhões de euros – um aumento que representa mais 3 milhões de euros entre janeiro e julho deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado – e os tecidos especiais, tufados, rendas, tapeçarias, passamanarias, bordados (+224,5%, para 2,27 milhões de euros, que representa um aumento de 1,6 milhões de euros).

No que diz respeito ao Canadá, os envios de vestuário e seus acessórios, exceto de malha, foram responsáveis por metade do crescimento absoluto das exportações – representaram um aumento de 3,4 milhões de euros em mais 6,5 milhões de euros, elevando as exportações totais para este país da América do Norte para 32,9 milhões de euros. Em forte crescimento estão igualmente as categorias de tecidos de malha (+55,3%, para 4,2 milhões de euros) e outros artefactos têxteis confecionados, que incluem grande parte dos têxteis-lar (+20,3%, para 8,9 milhões de euros) – esta última é, de resto, a categoria mais representativa das exportações portuguesas da indústria têxtil e vestuário portuguesa para o Canadá.

Espanha e Alemanha em queda

No top 10 dos principais mercados exportadores, as quedas são generalizadas, com as exceções já referidas de França, Itália e EUA. No total, a redução em Espanha (-3,7%), Alemanha (-5,2%), Reino Unido (-2,5%), Países baixos (-1,2%), Suécia (-1,7%) e Bélgica (-7,4%) representaram, em conjunto, menos 66 milhões de euros.

A quebra em Espanha está a ser impulsionada essencialmente pela categoria outros artefactos têxteis confecionados, que incluem a maioria dos têxteis-lar, que perdeu 20 milhões de euros (-22,7%) nos primeiros sete meses deste ano face ao período entre janeiro e julho de 2018. Em queda está igualmente a venda de filamentos sintéticos ou artificiais (-39,7%), de lã (-46,1%) e de algodão (-17,6%). O mercado espanhol está, no entanto, a comprar mais vestuário e seus acessórios, exceto de malha (+2,4%, equivalente a mais 6,1 milhões de euros).

Já na Alemanha, a redução das compras está a fazer sentir-se essencialmente no vestuário e seus acessórios, de malha (-8,5%, equivalente a 11 milhões de euros) e na categoria algodão (-24,3%, uma perda de 2,9 milhões de euros, para 9,1 milhões de euros). A compensar, apenas parcialmente, está o aumento das exportações de vestuário e seus acessórios, exceto malha, com um crescimento de 3,7%, equivalente a 1,4 milhões de euros, para 39,5 milhões de euros.