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Exportações têxteis já em queda em fevereiro

Amparadas pelos números positivos de janeiro, as exportações acumuladas de têxteis e vestuário nos dois primeiros meses do ano registaram uma descida ligeira de 0,9%. Ainda sem grande impacto do Covid-19, mercados como a Bélgica, a França, EUA e Reino Unido continuavam a crescer.

Em janeiro e fevereiro, Portugal exportou quase 881 milhões de euros em têxteis e vestuário, acusando uma redução de 8,1 milhões de euros face a igual período de 2019, depois de ter começado o ano com boas perspetivas.

Espanha continuou em queda (-3,6%, equivalente a menos 9,2 milhões de euros), sendo acompanhada, entre os 10 principais destinos das exportações nacionais, pelos Países Baixos (-3,3%, ou menos 1,3 milhões de euros), Itália (-1,6%, ou 860 mil euros) e Alemanha (-0,3%, equivalente a 317,7 mil euros).

Estas quedas foram, no entanto, parcialmente compensadas pelo crescimento de mercados como a Bélgica, com mais 2,1 milhões de euros em exportações (+12,7%), França, que nos primeiros dois meses do ano comprou mais 3 milhões de euros a Portugal (+2,5%), os EUA, que somaram mais 1,7 milhões de euros (+2,8%), e Reino Unido (+1,5%, representando um aumento de 998 mil euros).

Destaque ainda para o mercado suíço que, ocupando o 11.º lugar na lista de principais destinos dos têxteis e vestuário com origem em Portugal, registou uma subida de 22,1%, equivalente a 2,3 milhões de euros, para 12,8 milhões de euros.

Espanha compra menos vestuário

Analisando por categoria, as exportações de vestuário e seus acessórios, de malha, registaram uma queda de 1,5%, para 358,8 milhões de euros, enquanto as de vestuário e seus acessórios, exceto malha baixaram 1,9%, para 169 milhões de euros. Em conjunto, as duas categorias perderam, em comparação com o período homólogo de 2019, 8,7 milhões de euros em exportações.

Espanha, que detém uma quota de 34,5%, foi a grande responsável por esta queda, com uma diminuição de 7% das exportações de vestuário com origem em Portugal, equivalente a uma redução de 13,8 milhões de euros, para 182,3 milhões de euros.

A diminuição foi igualmente sentida nos Países Baixos, que reduziram as compras em 8,4%, para 27,4 milhões de euros.

Em sentido contrário, Reino Unido (+8,6%, equivalente a 3,7 milhões de euros), Itália (+7,1%, ou 2,6 milhões de euros) e Bélgica (+22% ou 2,1 milhões de euros) aumentaram as suas compras de vestuário a Portugal.

EUA lideram nos tecidos de malha

Entre as categorias ligadas ao têxtil, os primeiros dois meses do ano foram agridoces. Se, por um lado, as exportações de outras fibras vegetais (+51,9%, para 2 milhões de euros), filamentos sintéticos ou artificiais (+12%, para 14,8 milhões de euros), algodão (+7,4%, para 28,1 milhões de euros) e lã (+1,4%, para 10,1 milhões de euros) registaram crescimento, os envios da categoria de tecidos especiais, onde se incluem tecidos tufados, rendas, tapeçarias, passamanarias e bordados (-9%, para 17,5 milhões de euros), fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (-8,1%, para 41,9 milhões de euros) e tecidos de malha (-4,6%, para 22,7 milhões de euros) assumiram quedas consideráveis.

No caso dos tecidos de malha, nos primeiros dois meses do ano, os EUA ultrapassaram Espanha e assumiram a liderança nas exportações. O país liderado por Trump comprou mais 22% em tecidos de malha, para um valor de 5,3 milhões de euros. Espanha surge em segundo lugar devido a uma queda semelhante (-22,6%), passando dos 6 milhões de euros do período homólogo de 2019 para 4,6 milhões de euros este ano.

O Canadá também se destacou nesta categoria, com um aumento de 95,7%, tendo sido responsável por 1,8 milhões de euros em exportações de tecidos de malha com origem em Portugal, ultrapassando, para assumir o quarto lugar, Itália, que registou uma queda de 61,3%, ficando-se apenas por 680 mil euros.

Têxteis-lar sem grandes alterações

Na categoria outros artefactos têxteis confecionados a subida foi de 3,1%, equivalente a 3,2 milhões de euros, para 105,9 milhões de euros. O aumento foi alimentado sobretudo pelas exportações na subcategoria artefactos têxteis confecionados, incluídos os moldes para vestuário, não especificados nem compreendidos noutras posições.

Nas subcategorias mais ligadas aos têxteis-lar, os cobertores e mantas registaram uma subida de 19,8%, equivalente a 664 mil euros, para pouco mais de 4 milhões de euros, as roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha, de qualquer matéria têxtil mantiveram um valor semelhante ao mesmo período do ano passado, com exportações na ordem dos 78,9 milhões de euros, e os cortinados, cortinas, estores, sanefas e reposteiros cresceram 27,6%, para 1,5 milhões de euros.