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Exportadores desprotegidos

A valorização da rupia para valores inéditos na última década, face às moedas nacionais dos seus principais parceiros comerciais tem afetado os exportadores da Índia que, contrariamente ao registado no passado, não têm beneficiado da vantagem cambial.

A taxa de câmbio efetiva real (TCER) – calculada numa base ponderada pelo comércio face a um cabaz de 36 moedas ajustado da inflação – aumentou para 113,2 em março, de acordo com o Banco de Reservas da Índia. Este ano, a TCER da rupia indiana excedeu os 112, pela segunda vez desde 2004. A última ocasião decorreu pelo período de um ano entre setembro de 2010 e agosto de 2011.

Durante o período anterior de valorização da moeda indiana, muitas outras moedas emergentes estavam também fortes e o crescimento das exportações foi alimentado pela sólida procura global, amortecendo o impacto sobre os exportadores. Desta vez, no entanto, essas relações estão invertidas. Dados do Ministério do Comércio e da Indústria local revelam que as exportações da Índia caíram 21,1% em março face ao mesmo período do ano anterior, assinalando a maior quebra dos últimos cinco anos.

A conjugação de uma frágil procura internacional e moeda forte impõe-se como um dilema para os decisores políticos na Índia, à medida que as exportações em indústrias como a joalharia, farmácia e subcontratação no segmento das tecnologias da informação se ressentem dos menores lucros e fraca competitividade. «Pela primeira vez numa década – incluindo o período de crescimento exponencial e declínio – a TCER está a aumentar e as exportações a diminuir», afirmou Nikhil Gupta, analista da corretora Nirmal Bang.

A valorização da rupia diminui os lucros obtidos no estrangeiro pelos exportadores, depois da sua conversão à moeda indiana. Os sectores das tecnologias da informação, energia, metais e mineração são intensamente orientados para a exportação, pelo que o seu desempenho deverá contar entre os piores no respeitante ao aumento da receita nos próximos 12 meses, segunda dados da divisão StarMine da agência Thomson Reuters. E, apesar do alívio da pressão resultante do recuo de 3% da rupia desde o princípio de março, para 63,59 por dólar, os exportadores indianos continuam a enfrentar uma acérrima concorrência por parte da Europa, Japão e outros países com moedas mais fracas, em mercados onde tradicionalmente apresentavam um bom desempenho.