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Exportadores indianos aproveitam fim das quotas – Parte 1

Na opinião de inúmeros analistas internacionais, as maiores empresas de vestuário da Índia deverão aumentar as suas exportações, agora que as quotas foram eliminadas.

No entanto, e de modo a atingir as metas de exportação traçadas pelo governo de 25 mil milhões de dólares em 2010, estas empresas terão que desenvolver novas capacidades nas áreas do design e marketing, além de adquirirem um espírito de parceria para que as respectivas sinergias sejam exploradas ao máximo.

Nos últimos anos, diversos estudos mostraram que a maior parte das empresas de vestuário da Índia estão confiantes que o seu negócio vai crescer, após o fim das quotas nos mercados globais de têxteis e vestuário.

Ainda assim, alguns especialistas recomendam um optimismo cauteloso, em vez da euforia descontrolada, uma vez que o comércio sem quotas não equivale a um comércio totalmente livre, e esta indústria indiana vai enfrentar inúmeras barreiras tarifárias e não tarifárias e uma feroz concorrência nos próximos anos.

Este estudo, publicado pelo site Just-style.com, teve como grandes objectivos analisar a procura, a nível internacional, do vestuário produzido na Índia nas diferentes categorias até 2010, identificar os países que constituirão os maiores concorrentes dos fabricantes indianos, e ver como as empresas deste país poderão enfrentar os difíceis desafios do mercado sem quotas.

O referido estudo envolveu a análise de uma amostra com as 176 maiores empresas de vestuário dos principais clusters regionais daquele país asiático, entre os quais se contam Nova Deli, Mumbai, Bangalore, Chennai, Ludhiana e Tirupur.

Em simultâneo, diversos estudos têm vindo a fazer projecções sobre a procura de vestuário a nível global.

Entre estes, conta-se um estudo da Accenture (2002), que previa que o comércio mundial de vestuário valeria um montante de 360-400 mil milhões de dólares no ano de 2010, enquanto o KSA Technopak (1999) apontava para um valor total de 560 mil milhões de dólares no mesmo ano, e a consultora McKinsey (2001) calculou que as importações de roupa em todo o mundo atingiriam os 410 mil milhões de dólares em 2010.

Refira-se igualmente que todos estes estudos se basearam em dados da OMC, que incluem todos os artigos de vestuário, inclusive o fabricado a partir de peles e outros materiais não têxteis.

Este estudo seguiu os seguintes passos, afim de traçar um quadro relativo à procura de vestuário a nível global.

O cálculo da taxa de crescimento anual composta de seis categorias diferentes de vestuário, no período entre 1990 e 2000.

Com base nestas taxas, foram calculadas as taxas de crescimento para o ano de 2004, em cada uma destas categorias.

Após o fim das quotas, a 31 de Dezembro de 2004, foram efectuadas diversas simulações para o período de 2005 a 2010, com base nas opiniões de 28 especialistas consultados ao longo do referido estudo, a quem foi pedido que indicassem a taxa a que pensavam que cada categoria em análise iria crescer após 2005.

Assim, a procura mundial de vestuário seria de 368 mil milhões de dólares, valor que constitui a soma dos valores das diferentes categorias de roupa.

Após a mencionada consulta aos especialistas envolvidos, foi decidido calcular o valor da procura em 2010 com base em duas ordens de simulações: a 2% acima da taxa de crescimento em cada categoria analisada para o período 1990-2000 (um cenário realista), e a 3% acima da taxa de crescimento em cada categoria observada no período 1990-2000 (um cenário mais optimista).

As importações mundiais de vestuário devem assim crescer até aos 435 mil milhões de dólares, num cenário optimista, tendo igualmente em conta a diversidade dos mercados e o uso restrito das barreiras não tarifárias.

Ainda segundo esta análise, e num cenário o mais realista possível, as exportações indianas de vestuário atingiriam o montante total de 15,5 mil milhões de dólares em 2010, o que constituiria uma quota de 3,8% do valor global do comércio de vestuário neste ano.

Actualmente, a Índia detém cerca de 2% do mercado mundial de vestuário, tendo o governo deste país traçado como meta o valor de 25 mil milhões de dólares de vestuário exportados, em 2010.

Para atingir este desiderato, as exportações indianas deveriam crescer ao ritmo de 16% ao ano, a partir de 2001 (em comparação com a taxa de 9% registada no período de 1990-2000).

De acordo com o referido painel de especialistas, parece pois altamente improvável que as exportações de vestuário da Índia atinjam os 25 mil milhões de dólares em 2010, sem se dar uma significativa mudança nas capacidades deste sector industrial.