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Fábrica Alentejana de Lanifícios em novas mãos

A Fábrica Alentejana de Lanifícios mudou de mãos, ganhou modernidade, mas não perdeu a tradição. Fabricaal é a nova marca que quer aproveitar a forte herança das mantas de Reguengos de Monsaraz e introduzir novos produtos e conceitos de decoração.

[©Fabricaal]

As famosas mantas de Reguengos de Monsaraz fazem parte do imaginário de muitos portugueses da década de 70/80. Presente nos momentos felizes de família, as mantas fabricadas em teares manuais eram frequentemente avistadas em piqueniques, na praia ou em cima das camas nas casas dos avós.

Depois de ter sido administrada pela neerlandesa Mizette Nielsen durante 45 anos, a Fábrica Alentejana de Lanifícios, que iniciou atividade em 1915, ganhou nova vida e uma nova sigla – a Fabricaal, agora nas mãos de Luís Peixe, Margarida Adónis e António Carreteiro, que não querem deixar morrer a arte e a tradição das mantas de Reguengos de Monsaraz.

«Quando adquirimos a Fábrica Alentejana de Lanifícios percebemos que para sobreviver teríamos de comunicar no online e, para isso, criar uma nova denominação para a marca registada. Foi com naturalidade que surgiu o nome Fabricaal, que é na realidade uma redução do Fabrica Alentejana de Lanifícios. A nossa maior preocupação era a de manter o património cultural e continuar a produzir o portfolio da fábrica», explica Margarida Adónis ao Portugal Têxtil.

[©Fabricaal]
Preservar os mesmos métodos de há mais de 100 anos é uma prioridade dos novos proprietários que têm procurado apenas inovar com cores novas e novos produtos, que vão desde os candeeiros e pufes às carteiras e malas. «A estratégia passa por consolidar a Fabricaal como uma marca de produtos de decoração feitos em lã, que

aproveitando a forte herança das mantas de Reguengos, dos seus padrões tradicionais e do trabalho 100% manual, introduz novos produtos e conceitos de decoração, abrangendo novos mercados e um público mais vasto», revela.

Neste sentido, a marca tem vindo a desenvolver colaborações com outras marcas para a introdução de produtos que, juntando diferentes valências, constituem uma oferta única no mercado. «Aqui destacaria a parceria que temos com a Abat-jours & Companhia para a produção de abat-jours forrados com os nossos tecidos, e a parceria com a De La Espada para a produção de cadeiras», aponta Margarida Adónis.

Tradição rima com inovação

Recentemente, a Fabricaal lançou ainda uma coleção ecológica batizada de Natureza que não utiliza lã tingida.

A técnica da tecelagem mantem-se inalterada na Fábrica Alentejana de Lanifícios com a ajuda de dois tipos de teares que produzem o padrão Guadiana (ou o dos losangos) e o padrão da Espiga. «A tecelagem manual utiliza os mesmos princípios há centenas de anos. Os teares são todos em madeira, trabalhamos somente padrões geométricos na horizontalidade, utilizamos lançadeiras que vão de um lado ao outro do tear, sincronizadas com movimentos de pés e mãos que puxam o chicote e empurram a lançadeira para percorrer a teia nos vários enliçamentos dando origem a diversas tramas», conta Margarida Adónis,

[©Fabricaal]
Mesmo em ano de pandemia, a marca teve necessidade de contratar dois novos artesãos, juntando-se aos dois existentes. «Pela primeira vez em mais de 40 anos temos um jovem rapaz de 32 anos em plena formação. Neste momento encontramo-nos a recrutar o terceiro artesão do ano de 2021», afirma.

Apesar de Portugal ser o principal país comprador da Fabricaal, a marca atingiu uma taxa de exportação de 40% e tem chegado a clientes de mercados como a Dinamarca, Itália, França, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Japão, Estados Unidos.

As mantas de Reguengos de Monsaraz e os novos artigos da Fabricaal podem ser adquiridos através da loja online ou nas lojas Vida Portuguesa, pop-up store Portugal Manual, Rice, na Comporta, By Heart, em Grândola, ou no WOW, no Porto.

Neste momento, a marca está a trabalhar num projeto com a arquiteta Estela Safara para remodelar as instalações centenárias da Fábrica Alentejana de Lanifícios e transformar a sala do museu num centro de história viva da manta de Reguengos, promovendo o turismo industrial com visitas à fábrica e «ainda temos em mente conseguir organizar workshops e formações de tecelagem», acrescenta Margarida Adónis.