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Fábricas têm que repensar o layout

As empresas já começam a pensar no regresso à normalidade, ou melhor a uma nova normalidade pautada pelo distanciamento. Para isso, as empresas precisam de trabalhar as várias fases e reformular o layout das fábricas.

Segundo um estudo realizado pela consultora Kaizen Institute em Portugal, citado hoje pelo Jornal de Negócios, 73% das empresas dizem que as suas operações estão preparadas para regressar à atividade em pleno, mas 18% precisa de um mês para a adaptação. O Barómetro à atividade económica, teve por base um inquérito a 220 médias e grandes empresas, cujo período de análise decorreu entre 9 e 13 de abril.

Já no que toca ao tempo que a atividade recupere para níveis pré Covid-19, a realidade é menos simpática. 30% das empresas inquiridas afirmam que isso acontecerá num prazo superior a 12 meses e outras 30% esperam que isso suceda entre 6 a 12 meses. Apenas 18% preveem atingir os níveis antes da pandemia em três meses.

Mas num ponto quase todas parecem convergir: 2020 será um ano em que haverá quebra de negócio face ao anterior, apesar de 3% das empresas admitirem crescer. Mas 37% apontam uma queda entre 10% a 30% nos resultados do atual exercício, havendo mesmo 32% das inquiridas a acreditar numa queda superior a 30%.

Para o Kaizen Institute, o regresso à atividade não será instantâneo, decorrendo antes em várias fases. Deste modo, na fase designada por “reconstrução”, que poderá demorar três meses, será feita com a necessidade de conviver com novas regras de distanciamento social, o que implica «pensar em layouts reformulados». O objetivo é que a atividade funcione mas com os colaboradores mais distanciados, o que deverá implicar turnos mais frequentes e com menos pessoas para conter riscos de novas epidemias.

António Costa, sócio e líder do Kaizen Institute sublinha que não se trata apenas de uma adaptação das empresas, mas sim do mundo. «O mundo tem de se reorganizar como um todo», garante.

Segue-se a fase da “reimaginação”. Esta fase será o regresso à «lógica da inovação», com o crescimento a ser muito prioritário. A “reimaginação”, segundo o Kaizen Institute, deverá acontecer em agosto, um cenário que levou em linha de conta o que se tem passado noutros países e regiões.

Nesta fase, explica o Kaizen Institute, «há que garantir que vamos mesmo voltar ao normal e que isso deve ser feito o mais rápido possível». Ainda assim, o normal será diferente. Há tendências na gestão que tiveram de ser chamadas nesta crise da pandemia de covid-19 e que poderão fazer agora o seu caminho.

O Barómetro do Kaizen Institute adianta ainda que 50% já recorreram ou pretendem recorrer à medida de lay-off simplificado. Já 34% das empresas afirmam que ainda não reduziu postos de trabalho mas admitem fazê-lo.

No que diz respeito às medidas apresentadas pelo Governo para ajudar no combate ao novo coronavírus, 81% consideram que são insuficientes. E 40% pedem isenção de comissões nas linhas de crédito.