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Faça-se luz – Parte 1

2015 será o Ano Internacional da Luz, de acordo com a Unesco, mas os projetos que envolvem a utilização de novas tecnologias de luz começam já a dar que falar, quer no meio artístico quer em aplicações tão diversas como nos têxteis, na indústria automóvel ou na agricultura. Arte As instalações da Grafton Architects para a exposição Sensing Spaces na Academia Real de Londres usaram blocos de cimento suspensos para difundir a luz no espaço. «Há uma sensação de prazer em passar da escuridão para a luz e vice-versa, porque enquanto seres humanos somos cíclicos», afirmam os arquitetos. A atual exposição Digital Revolution no Barbican, em Londres (até 14 de setembro), explora o potencial interativo da luz digital, como a que pode ser vista na instalação Assemblance, da Umbrellium, que permite que os visitantes esculpam luzes de laser como se fosse um material tangível. Da mesma forma, a instalação GRID da Tetro sincroniza música com um dispositivo de luzes para imergir os espectadores num mundo de sensações digitais. Olafur Eliasson recebeu o prémio Eugene McDermott em Artes 2014 no MIT, que oferece a artistas inovadores 100 mil dólares (cerca de 77 mil euros) em dinheiro e residência num campus. A residência de Eliasson irá facilitar a participação de estudantes no seu projeto Little Sun – parte da sua busca para levar a luz a toda a gente através de lâmpadas a energia solar. Smartphones holográficos O ecrã holográfico é a última fronteira na tecnologia de smartphones e apesar de muita especulação, os gigantes dos telefones ainda estão longe de uma verdadeira viabilidade da tecnologia. A que está mais perto da produção é a Ostendo Technologies, sediada na Califórnia, que encontrou uma forma de embeber chips de computador nos telemóveis que podem «controlar a cor, a luminosidade e o ângulo de cada feixe de luz em um milhão de pixéis». Com data de lançamento para o próximo ano, promete transformar os ecrãs digitais. Ao mesmo tempo, as empresas de telefones estão a tentar acalmar os consumidores com falsos efeitos holograma. A Amazon lançou recentemente o seu conjunto Fire, um telefone com um ecrã dinâmico com efeitos 3D, pensado para atrair os consumidores online à Amazon. A marca chinesa Takee afirma ter desenvolvido com sucesso «uma tecnologia holográfica única no mundo», contudo o produto não tem a capacidade de criar hologramas projetados. Apesar destas alegações, o desejo por ecrãs de telemóvel holográficos é claro – a tecnologia apenas tem de acompanhar. Saúde & bem-estar Usar smartphones e tablets à noite pode ter um efeito negativo no ritmo circadiano, que dita o nosso relógio natural. A luz azul artificial dos ecrãs leva a mente a pensar que é dia, mantendo os utilizadores acordados durante mais tempo. A aplicação F.lux muda as definições do ecrã de acordo com a hora do dia para ajudar o ciclo natural de sono. A empresa de tecnologia Withings, que se especializou em bem-estar, respondeu ao ritmo frenético da via contemporânea com a criação do Aura, um sistema que combina um dispositivo para ter ao pé da cama, uma aplicação no telemóvel e um sensor para monitorizar e encorajar o sono. Acalma os utilizadores para dormirem com uma luz vermelha e acorda-os lentamente com uma luz azul. A British Airways está a levar a sério o bem-estar dos seus passageiros com o Hapiness Blanket. Usando luz embebidas, o cobertor torna-se vermelho quando os passageiros estão stressados e azul quando estão calmos, permitindo à companhia aérea descobrir os pontos ótimos da viagem. Design social Os espaços urbanos estão a usar tecnologia de luz para reduzir o consumo de energia e melhor servir os cidadãos. O Hammerhead é um simples sistema de navegação para ciclistas que usa luzes com um código de cores para os ajudar com o percurso e as preferências de terreno. A bicicleta Lumen dos veteranos Mission Bicycle Company tem uma estrutura com um sistema retrorrefletor integrado que brilha à noite e se esbate durante o dia. Em áreas onde a eletricidade é escassa, os designers estão a trabalhar para criar fontes de luz baratas e sustentáveis. O Shake Your Power combina a energia cinética de um instrumento de percussão com uma fonte de luz essencial para guiar as crianças no seu percurso para casa da escola ou para fazerem os trabalhos de casa. O designer holandês Daan Roosegaarde revolucionou a iluminação de estradas com o seu Smart Highway, que consiste em linhas de estrada pintadas que são recarregadas durante o dia e se tornam néon durante a noite. Atualmente o sistema está a ser usado num troço de autoestrada na Holanda. Roosegaarde está também a trabalhar para acrescentar bioluminescência para permitir que as árvores substituam a iluminação de rua. Horticultura A tecnologia LED revolucionou a iluminação e quando combinada com software avançado, pode tornar-se capaz de responder às necessidades do ambiente circundante. A Philips desenvolveu “receitas de luz”, que otimizam a iluminação para culturas agrícolas específicas de forma a aumentar as colheitas. A Sudlac, que faz tintas para estufas, desenvolveu um novo produto chamado OptiMix, que filtra a luz para reduzir o calor. As estufas comerciais podem maximizar o potencial de crescimento das colheitas ao filtrarem a luz verde. Instigados pela cadeia britânica de supermercados Sainsbury’s, investigadores do Centro de Tecnologia de Stockbridge fizeram experiências com luz para aumentar a estação de cultivo do morango para um ano. Usando luzes LED azuis e vermelhas, os morangueiros podem ser cultivados em armazéns em vez de estufas. Para além de dar mais tipos de frutos e vegetais durante o ano todo, os agricultores precisam de encontrar formas criativas de alimentar o número crescente da população, ao mesmo tempo que baixam os custos graças são cultivo local. Na segunda parte deste artigo, são exploradas as potencialidades da tecnologia de luz noutras áreas, como o automóvel e o têxtil.