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Faça-se luz – Parte 2

As novas tecnologias de luz estão a permitir desbravar um mundo novo em áreas tão distintas como a arte, a saúde, a agricultura e as telecomunicações (verFaça-se luz – Parte 1), mas também em indústrias diferenciadas como o automóvel ou a têxtil. Automóvel A iluminação automóvel está a tornar-se cada vez mais inventiva graças à tecnologia LED. David Hulick, diretor de marketing da americana Osram Sylvania, espera que os faróis de LED – atualmente território apenas dos automóveis de luxo – se tornem generalizados nos próximos anos, até porque, acredita, são uma forma dos produtores criarem identidade de marca à noite, referindo-se mesmo a eles como «a joalharia da indústria». Mais finos do que um fio de cabelo, os OLEDs exigem uma estrutura e uma embalagem mais pequena do que os LEDs, permitindo designs mais flexíveis. A iluminação laser chegou há pouco ao mercado e está a ser usada para os faróis de máximos. O potencial criativo dos LEDs pode ser visto no sistema de iluminação Swarm da Audi. Na CES deste ano, o Audi Sport Quattro surgiu com luzes laser, enquanto o automóvel elétrico BMW i8 deverá estrear inovadores díodos laser. A BMW está também a usar iluminação de realidade aumentada para gerar o painel principal, como mostrado no seu modelo Vision Future Luxury. Os sensores exteriores recolhem os dados e mostram a informação relevante – desde padrões meteorológicos a sinais de velocidade – em tempo real no ecrã. Design experimental Os espetáculos de luz percorreram um longo caminho desde o simples fogo-de-artifício, oferecendo agora experiências envolventes com profundidade e interação. O estúdio alemão Urbanscree usou um antigo tanque de gás e transformou o interior com uma animação digital projetada, fazendo com que a superfície interna ganhasse vida. O design responsivo está a permitir que a luz tenha um diálogo interativo com as pessoas. A Nonotak – uma colaboração criativa entre a ilustradora Noemi Schipfer e o arquiteto e músico Takami Nakamoto – revela a sua terceira incursão na série Daydream, na qual uma luz projetada abre um mundo virtual, fazendo com que os visitantes sintam como se estivessem numa outra dimensão. A empresa italiana fuse* criou uma projeção que responde aos movimentos de um artista suspenso numa corda. Atendendo a chamada para interações digitais mais poéticas, a Wishing Wall de Varvara & Mar na exposição Digital Revolution no Barbican transforma desejos expressos verbalmente em borboletas digitais, com uma borboleta digital a aterrar na mão do visitante e a desaparecer em seguida. Têxteis Estudantes da Escola de Têxteis da Suécia fizeram experiências com têxteis com luz embutida este ano. Os têxteis de Malin Bobeck transmitem a luz na natureza, parecendo tão fluido quanto a água. Emoções e reações estão também a ser captadas por peças de vestuário. Kristin Neidlinger criou a GER Mood Sweater que mostra as emoções do utilizador através de cinco cores diferentes, com o verde a significar calma e o rosa a mostrar entusiasmo. A cor é refletida na gola para que o utilizador se torne consciente das suas emoções pessoais. Fazendo eco da abordagem de bem-estar, o tapete de ioga Tera da Lunar foi desenhado para guiar o utilizador na sua prática, combinando um tecido com luz embebida e uma aplicação de telemóvel. Entretanto, a Philips está a ser pioneira nos têxteis luminosos através da sua parceria com a Kvadrat Soft Cells, revelando a maior instalação do mundo de têxteis luminosos num centro comercial na Alemanha. Este sistema transforma o ambiente e a experiência, combinando módulos LED multicoloridos com painéis têxteis acústicos. Natureza digital Vários artistas estão a combinar luz digital e tecnologia para criar um diálogo em torno da natureza. Para a Conferência das Alterações Climáticas das Nações Unidas em 2015, em Paris, Naziha Mestaoui vai projetar uma floresta digital em monumentos e edifícios famosos na cidade. Os espectadores podem gerar a sua própria árvore digital, que cresce de acordo com o ritmo cardíaco da pessoa e é alimentada através de uma aplicação para telemóvel. O artista Miguel Chevalier mostra uma versão hiper-real da natureza na sua instalação Trans-Natures 2014 (em Chaumont-sur-Loire, França, até 2 de novembro), que mostra uma floresta sempre em evolução à medida que cresce num ecrã. Algoritmos criam a metamorfose da natureza com formas e cores sempre em mudança. Usando o mundo natural como pano de fundo, os artistas Aaaron Koblin e Ben Trickebank revestiram momentaneamente a paisagem com luz emitida por um laser a bordo de um comboio para o seu projeto Light Echoes. Visões astrais Olhar para vastas galáxias permite uma abordagem mais contemplativa à luz e ao sistema solar. O astro-fotógrafo Nicholas Buer captou o céu inteiro, incluindo a Via Láctea, a Lua e os planetas, num filme de um lapso de tempo a partir de uma base no Deserto de Atacama, no Chile. Tendo sido galardoada com uma menção honrosa no CERN Prix Ars Electronica 2014, Agnes Meyer-Brandis foi encarregada pela Bienal de Marraquexe 2014 de criar uma instalação magnética que atrai e guia aterragens de meteoritos na Terra. Noutro cruzamento entre arte e ciência, a artista Katie Paterson olhou para o universo para criar vários projetos a que se refere como infinito, desde gerar mapas com milhões de estrelas mortas a criar relógios que dizem as horas de todos os planetas no sistema solar.