Início Arquivo

Falta de confiança abala vendas

O valor das vendas a retalho no Reino Unido, considerando igual número de lojas, aumentou 1,8% em Novembro, relativamente ao mesmo mês do ano transacto. No entanto, este crescimento foi relativo a um mês fraco de 2008, caracterizado pela débil confiança dos consumidores, que resultou da turbulência nos mercados financeiros. Em termos gerais, as vendas cresceram 4,1%, relativamente a um declínio de 0,4% em Novembro de 2008, de acordo com os dados do British Retail Consortium (BRC). Comparativamente ao mês de Outubro, o crescimento das vendas de produtos alimentares diminuiu em Novembro, reflectindo em grande medida a inflação mais baixa nos preços destes bens. Segundo o BRC, o crescimento no vestuário e no calçado também abrandou, após o crescimento registado em Outubro. As vendas de têxteis-lar e mobiliário mostraram ganhos adicionais, mas em relação a quedas maiores registadas há um ano atrás. As vendas de produtos não-alimentares no comércio extra-loja (i.e., Internet, vendas por correio e telefone) foram 16,9% superiores em Novembro que há um ano atrás, em comparação com um crescimento de 18,0% registado em Outubro. A taxa de crescimento mais lenta ficou em linha com a desaceleração nas vendas em loja. Stephen Robertson, director-geral do British Retail Consortium, afirma que «esperávamos um crescimento muito mais forte, porque a comparação é com resultados muito pobres em 2008, quando o mês de Novembro teve o segundo pior desempenho do ano. O crescimento foi mais fraco do que no mês de Outubro, mas não é tão mau como parece». Esta performance deveu-se à queda acentuada na inflação dos alimentos, que continua a atenuar as vendas retalhistas de produtos alimentares. Mas o crescimento nas vendas de produtos não-alimentares melhorou com a aproximação do Natal. Em especial, os descontos e as chuvas intensas impulsionaram as vendas de botas e calçado, enquanto que o clima mais ameno atingiu as vendas de vestuário. Houve um crescimento contínuo nas vendas extra-loja de produtos não-alimentares. «A confiança do consumidor está frágil e piorou. Somos a única grande economia ainda em recessão. A incerteza sobre o emprego e os futuros aumentos de impostos e cortes nos gastos do Governo tornam os clientes mais prudentes. Os retalhistas estão esperançosos de um Natal melhor do que o fraco desempenho do ano passado, mas ainda está tudo em jogo», explica Robertson. Helen Dickinson, responsável pelo retalho na KPMG, considera que «é um resultado decepcionante para Novembro, uma vez que Outubro mostrou o melhor crescimento desde 2002. Contudo, quando se considera que o crescimento nas vendas de alimentos foi ainda mais lento, reflectindo em grande medida a menor inflação nos preços destes bens, a evolução representa um sólido início para o comércio de Natal.” O vestuário sofreu, como resultado do mau tempo, e das comparações com 2008, altura em que foram feitos mais “dias de descontos” por diversas grandes superfícies. O mobiliário, os pavimentos e outros sectores relacionados com a casa tiveram outro bom mês, reflectindo uma combinação de procura reprimida e a focalização na casa neste Natal. «Apesar de ser difícil recuperar o terreno perdido no início dos preparativos para o Natal, senão mesmo impossível, muitos retalhistas vão estar silenciosamente confiantes de que o seu desempenho não estará próximo do péssimo, como alguns poderiam ter previsto há seis meses atrás», conclui Helen Dickinson.