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Falta de informação dificulta escolha aos compradores de vestuário – Parte 1

Apesar da importância dos dados relativos ao comércio internacional de têxteis e vestuário, a União Europeia mantém um considerável atraso na análise e divulgação dos mesmos, tendo aliás optado por parar com duvidosas estimativas das actuais importações, contentando-se em tomar decisões com base em dados mais antigos (enquanto a China divulgava os seus dados das exportações relativos a Abril de 2005, a UE apresentava os valores das suas importações de Janeiro…).

 

No Ocidente, nem a Comissão Europeia, nem o governo dos Estados Unidos querem realmente impor restrições contra a China, dado que nem um nem outro estão a ser “empurrados” para esse passo sem um sério e profundo julgamento prévio sobre o que é melhor para os respectivos países.

Aliás, em ambos os casos, estão a ser adoptadas – ou consideradas – quotas temporárias, como resultado das fortes pressões políticas por parte de grupos com a missão e o poder para tal, embora não sejam necessariamente grupos que representam a maioria da opinião pública.

Os debates que decorrem em Washington e Bruxelas não giram à volta daquilo que é realmente melhor para as indústrias e consumidores domésticos, mas antes sobre o que conceder aos referidos grupos de pressão para que deixem de os importunar…

E por mais agressivas que se revelem os E.U.A. e a UE para impor quotas temporárias à China, o máximo que poderão conseguir – segundo o artigo do Just-style.com – é deslocar as importações de vestuário da China para o Bangladesh ou outros países vizinhos, e atrasar ligeiramente o (quase) inevitável desaparecimento do que resta das suas respectivas indústrias de têxteis e vestuário.

 

Estas medidas de salvaguarda vão naturalmente irritar os chineses, aumentando os custos da roupa para os consumidores europeus e americanos mais pobres, e temporariamente tornar a vida mais fácil para as empresas romenas e mexicanas, embora com poucas consequências práticas para a maior parte dos habitantes da Europa e dos Estados Unidos.

No entanto, esta situação é diferente nos países em vias de desenvolvimento, nos quais a informação errada e interpretações erróneas podem causar sérios danos.

Na Namíbia, por exemplo, a empresa de origem malaia Ramatex, tem estado debaixo dos constantes ataques de activistas, praticamente desde a sua chegada ao país há alguns anos atrás.

Neste caso concreto, a abolição das quotas veio tirar uma das vantagens da referida empresa, uma vez que ao abrigo do acordo AGOA, as roupas importadas da Namíbia não estavam sujeitas a quotas.

No entanto, a eliminação das quotas no comércio internacional não afectou outra das inquestionáveis vantagens da indústria do vestuário da Namíbia, isto é, até à presente data, o vestuário da Namíbia não sofre das pesadas taxas aduaneiras dos Estados Unidos, assim como outra dos benefícios da Ramatex na Namíbia – a roupa produzida a partir de tecidos made in Namíbia ficarão muito mais tempo de fora destas restrições alfandegárias dos E.U.A. do que o vestuário fabricado com tecidos importados, e é por isso que a Ramatex possui a sua própria fiação na Namíbia…

Alias, os analistas que anunciam aos quatro ventos o desaparecimento da indústria do vestuário orientada para o mercado norte-americano em África – quando esta está apenas a assistir a uma ligeira quebra nas vendas – estão apenas a influenciar negativamente a confiança dos investidores e consumidores, numa altura em que o referido sector necessita de melhorar e reforçar a sua eficácia e produtividade, e não o oposto.

E não é apenas na África sub-sahariana que os negócios estão a ser afectados por estas notícias lançadas a público.

Em Marrocos, por exemplo, tornou-se moda falar dos 95.000 postos de trabalho eliminados na indústria dos têxteis e vestuário nos primeiros três meses após a eliminação das quotas.

Na realidade, desde que os ditos “consultores” avançaram este número, perderam-se mais 105.000 empregos noutros países que não Marrocos, no mesmo período de tempo, pelo que alguns comentadores reclamam que o levantamento das quotas custou já mais de 200.000 postos de trabalho em Marrocos!

 

A verdade é que a indústria de vestuário marroquina não está a sair-se tão bem como seria desejável, pois além dos aspectos já referidos, viu adiada a implementação do tão aguardado acordo de livre comércio com os Estados Unidos, que permitirá a Marrocos usar matérias-primas de outros países, e manter o acesso sem taxas ao mercado norte-americano.