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Falta de integridade ameaça algodão orgânico

Um novo relatório da Textile Exchange alerta para a necessidade de colaboração na indústria para manter a integridade da cadeia de aprovisionamento de algodão orgânico, de forma a não prejudicar a confiança dos consumidores na fibra. A rastreabilidade é um dos caminhos apontados.

[©Pixabay/Imaginationphotog]

O relatório Strengthening Integrity in Organic Cotton 2022 adverte que é difícil manter a integridade na cadeia de aprovisionamento de algodão orgânico, sendo que as ameaças à integridade normalmente evoluem.

«Acreditamos que a integridade é extremamente importante para a cadeia de aprovisionamento de algodão orgânico, mas também reconhecemos que há dificuldades em manter este princípio», refere o relatório. «Os desafios à integridade não são novos nem exclusivos do algodão orgânico e muitas vezes evoluem. Acreditamos que impor as maiores restrições possíveis, e depois revê-las frequentemente, é vital para evitar fraudes, mas também o é ajudar outros a reconhecer, responder e impedir, em primeiro lugar, que as mesmas aconteçam. Na Textile Exchange continuamos a ter uma abordagem multifacetada ao reforço da integridade no algodão orgânico», acrescenta.

Segundo a organização, «ao trabalhar com marcas, grupos produtores, entidades certificadoras, ativistas e financiadores, comprometemo-nos com uma ação coletiva. Mas sabemos que há mais a fazer».

Os desafios enumerados pela Textile Exchange incluem, entre outros, a diferença entre o volume de algodão orgânico declarado para ser usado pelas marcas e retalhistas e as estimativas de algodão orgânico produzido. Os atores da cadeia de aprovisionamento também enfrentam insegurança na oferta e questões de qualidade e contaminação da fibra, ao passo que a maior parte dos agricultores de algodão orgânico não tem acesso a sementes de boa qualidade que não sejam geneticamente modificadas, não tem segurança nas relações com os compradores e muitas vezes não recebe um preço suficientemente alto para compensar os seus esforços.

Medidas de prevenção

[©Unsplash/Luca Volpe]
O relatório, contudo, foca-se nas ações que os diferentes players podem empreender para juntar forças e «construir uma cultura de integridade dentro do sector».

Entre as principais conclusões do estudo surge o facto de a fraude ocorrer mais frequentemente quando se juntam a pressão financeira, a oportunidade e o potencial de racionalização. «Isso pode ser o resultado do sub-investimento, presença de vazios legais e a perceção entre os parceiros da cadeia de aprovisionamento de que os seus esforços ou os riscos que estão a correr não estão a ser devidamente compensados».

Uma outra conclusão é que uma das formas de prevenir as fraudes é mais do que impor restrições, mas ir «à raiz do problema, não apenas gerir os sintomas», o que significa, entre outras coisas, partilhar conhecimento.

«Para combater de forma eficiente as fraudes e criar um sistema robusto de integridade, as organizações têm de ir além de construir o cumprimento através de standards e certificações e conseguir a rastreabilidade do conteúdo orgânico, melhorando os incentivos para os parceiros da cadeia de valor e colaborar com outros», aponta a Textile Exchange no relatório.

Como última conclusão, a Textile Exchange sugere que as organizações podem começar já com a revisão e mapeamento das suas redes de aprovisionamento para verem onde estão as suas vulnerabilidades à fraude e depois introduzir e embeber uma política antifraude e de integridade. «Ao monitorizarem o sucesso desta estratégia, as organizações podem refinar e fazer ajustes. Isto deve fazer parte da adoção de uma política de aprendizagem e melhoria contínua», conclui.