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Familitex à conquista de Paris

A produtora de malhas está, pela primeira vez, na Première Vision Paris, em mais um passo na estratégia de internacionalização que, desde 2015, levou as suas laçadas a feiras em Munique, Milão e Londres. Uma meta importante para a empresa, que tem ainda novos investimentos no horizonte.

Fundada em 1999 por Afonso Barbosa e José Manuel Mota, nos últimos três anos a Familitex está empenhada em deixar a sua marca nos mercados externos. A empresa, que recentemente impressionou os estudantes da Saxion University of Applied Sciences (ver ITV nacional impressiona estrangeiros), está apenas a dar os primeiros passos lá fora, mas a ambição é atingir 30% de exportação direta. «Sempre tive uma visão do negócio alargada», assumiu Afonso Barbosa ao Jornal Têxtil, numa entrevista publicada na edição de junho.

Périplo europeu

Depois de Munique, Milão e Londres, Paris é a próxima paragem. «Quero conquistar algum mercado em França, um bom mercado, com muitas marcas», revelou, acrescentando que antecipa que esta seja «uma feira para manter».

Com mais de 90 clientes ativos, a Familitex, que conta com 70 teares, 80 pessoas e uma capacidade produtiva entre 20 e 25 toneladas diárias, tem as baterias apontadas também ao mercado italiano, onde tem agentes e «bons contactos com a Diesel e a Benetton», assim como ao mercado espanhol.

«É difícil [Espanha] porque tem de se ter pronto para entrega. Abrimos um armazém nas nossas antigas instalações, em Vila Boa, de stock service, e vamos começar a atacar o mercado espanhol. E também algumas empresas pequenas no nosso mercado. Temos muitas empresas que exportam, mas são pequenas e têm muita dificuldade em crescer. Não é fácil para mim dizer a um cliente pequeno que não faço, porque já fui pequeno e sei o que isso é. A alguns desses clientes posso agora dizer para visitarem o armazém», explicou o administrador da empresa.

Investir para crescer

O armazém é um dos mais recentes investimentos da Familitex, que tem também apetrechado a produção com as mais recentes tecnologias. «A parte tecnológica foi uma forte aposta da empresa para oferecer aos clientes um produto distinto, para nos diferenciarmos da maioria das empresas. Atrevo-me a dizer que temos um dos parques de máquinas mais atualizado do mercado. Nestes últimos dois anos comprámos mais 40 máquinas, que fazem tudo: jerseys, rib, transferências, malhas com separações, riscas, fantasias…», enumerou Afonso Barbosa, que avança com a possibilidade de fazer novas apostas.

«A nossa maior dificuldade neste momento não é a produção, é o que subcontratamos. Neste caso temos de subcontratar a estamparia, a tinturaria e isso, para nós, é um impedimento muito grande», constatou o administrador que, por isso, está a analisar a instalação de uma tinturaria.

«Vou dar um prazo razoável, talvez mais cinco anos para conseguir atingir esse objetivo. Quero ir para um espaço onde possa crescer e se não crescer, ter o ideal. Porque não precisa de ser muito grande para dar uma boa resposta à Familitex – preciso de ter uma tinturaria na base dos 10 mil quilos diários. Será um investimento entre os 5 e os 6 milhões de euros», resumiu.

Uma expansão pensada para que a empresa possa manter as bases do seu sucesso, que assenta «no serviço, na rapidez e no preço» e continue a crescer a bom ritmo, depois de em 2016 ter registado um recorde vendas de 19 milhões de euros (em comparação com 15,5 milhões de euros em 2015). «Gostaria de terminar 2017 com 24 milhões de euros de vendas», concluiu Afonso Barbosa.