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Familitex integra tecnologia da Smartex

A empresa produtora de malhas adquiriu o Smartex V1, o sistema de inspeção automatizado desenvolvido pela Smartex que deteta defeitos durante o processo de tricotagem. A aquisição, refere a Familitex, vai permitir melhorar a qualidade e a sustentabilidade da produção, com os benefícios já comprovados em janeiro.

Afonso Barbosa e Gilberto Loureiro [©Smartex]

O sistema criado pela start-up portuguesa fundada em 2018 por Gilberto Loureiro, António Rocha e Paulo Ribeiro baseia-se em inteligência artificial e permite a deteção de defeitos durante a tricotagem, «evitando assim o desperdício têxtil por defeitos de produção, que tantas vezes passam despercebidos até à fase de tingimento e acabamento, resultando não só num desperdício de matéria-prima mas também de recursos como água, energia e produtos químicos», destaca a Smartex em comunicado.

A sustentabilidade, de resto, é uma das razões apontadas pela Familitex para a aquisição, mas não a única. «Na Familitex acreditamos que o compromisso constante com a inovação é a chave do sucesso e o inovador sistema da Smartex abarca muitos pilares, entre eles qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e digitalização», explica Afonso Barbosa, CEO da Familitex.

«O benefício de ter um sistema que garante 100% de inspeção já é enorme, ao que se acrescenta o enorme impacto que o Smartex V1 System tem na nossa produção em termos de poupanças, já comprovado durante o passado mês de janeiro em pleno funcionamento», revela o CEO da Familitex, que conta com mais de 80 teares circulares e uma capacidade produtiva que ronda as 30 toneladas/dia. «A interação homem-máquina tem sido ótima, os alertas do sistema deixam os nossos funcionários cada vez mais confiantes de que estão a entregar malhas de elevada qualidade», acrescenta.

De acordo com os dados dos diferentes clientes recolhidos pela Smartex, o sistema permite uma poupança média de 10 rolos por mês por cada máquina, uma vez que o sistema deteta tipos de defeitos distintos, desde falhas e traçadelas de elastano, manchas e linhas de óleo e buracos de diferentes tamanhos.

«Após vários anos de desenvolvimento, alguns deles passados entre Shenzen, China, e São Francisco, Califórnia, decidimos estabelecer as nossas principais operações em Portugal devido à proximidade da indústria têxtil. Isso permitiu-nos evoluir e entrar no mercado mais rápido», afirma Gilberto Loureiro, cofundador e CEO da Smartex.

Sistema melhorado

Lançada oficialmente no mercado no outono do ano passado, esta nova versão do sistema criado pela Smartex, que está já instalado em mais de 30 clientes, permite a adaptação da sensibilidade do sistema de acordo com o tipo de produção e maquinaria de cada cliente, a possibilidade de trabalhar com largura de banda de internet limitada e uma plataforma online que permite monitorizar a produção, entre outras melhorias face à versão anterior.

Rui Pereira e Ana Tavares

De acordo com Ana Tavares, diretora de comunicação e parcerias da Smartex, a adesão dos clientes é resultado «de apresentarmos ao mercado uma solução para um problema escondido na indústria têxtil, as falhas na qualidade dos materiais e na rastreabilidade, que resultam em grandes quantidades de resíduos têxteis». Com a pressão sobre a indústria têxtil para ter uma produção mais sustentável, «durante muito tempo, o foco foram apenas as matérias-primas utilizadas para a produção têxtil. Nos dias de hoje a indústria já entende que a sustentabilidade é muito mais abrangente e que otimizar os seus processos é a única maneira de lá chegar. É neste campo e neste exato momento que empresas de tecnologia como a Smartex desempenham um papel fundamental», sublinha.

Face a estes desenvolvimentos, o desempenho positivo da start-up portuguesa deverá prosseguir em 2021. «Os nossos atuais clientes reconhecem o benefício poucas semanas após a instalação dos sistemas. É isto que nos deixa confiantes que 2021 será um ano expressivo em termos de vendas, quer nos mercados em que já estamos presentes, como Portugal, Itália e Turquia, mas também em novos mercados», antecipa Rui Pereira, diretor de desenvolvimento de negócios da Smartex.