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Familitex pinta a malha

A especialista em tricotagem sediada em Barcelos está a montar uma unidade de tinturaria e acabamentos em Famalicão. O projeto representa um investimento de 8 milhões de euros e tem a inauguração agendada para setembro de 2019.

Localizada em Avidos, ocupando 6.100 metros quadrados num edifício com uma área de 11 mil metros quadrados, a nova unidade, batizada Familitex Tinturaria e Acabamentos, está atualmente em fase de obras e a aguardar a instalação dos equipamentos, que deverão começar a chegar apenas no início do próximo ano. O projeto, detido em 70% pela Familitex Tecelagem (os restantes 30% deverão ficar em mãos de um sócio externo ligado ao sector), prevê um efetivo de 60 a 70 pessoas e uma produção de 12 toneladas/dia. «Vamos começar com uma capacidade mais baixa, entre seis e sete toneladas, e ver o que o mercado pede», revela, ao Jornal Têxtil, Afonso Barbosa, CEO da Familitex.

As máquinas, novas, foram já encomendadas, incluindo 20 jets, duas râmulas, uma máquina para desfibrilar e uma secadeira. «Vamos apostar fortemente nas amostras, vão ser no mínimo seis jets, o que para a nossa capacidade vai ser muito. As amostras têm que ser muito rápidas para conseguirmos as produções», justifica o CEO.

O objetivo dos 8 milhões de euros de investimento – divididos entre a aquisição e obras nas instalações, no valor de 2 milhões de euros, e a aquisição dos equipamentos – passa por ser capaz de fazer acabamentos especializados e responder mais e melhor à procura dos clientes. Além da produção para a Familitex e a Serkut – uma empresa do grupo especializada em stock service –, a nova tinturaria vai igualmente trabalhar para «todos os clientes de confeções, para quem eu vendo malha em cru, que queiram malha acabada», desvenda o CEO.

2017 de boa memória

Este é apenas mais um passo no crescimento da Familitex, que apesar da sua “juventude” – celebra 20 anos em 2019 – tem vindo a expandir-se rapidamente no mercado. No ano transato, a produtora de malha, que registou um volume de negócios de 21,5 milhões de euros, adquiriu novas tecnologias – nomeadamente para rib, interlock e jogos finos –, num investimento de dois milhões de euros que elevou o parque de máquinas para 100 teares. «Neste momento estamos a vender dentro das 25 toneladas de malha por dia», admite Afonso Barbosa, que, contudo, sente alguma instabilidade por parte do mercado. «Este ano foi muito inconstante, não houve regularidade. Eu não trabalho só para a Inditex, mas os meus clientes trabalham muito para a Inditex e quem trabalha só para a Inditex sofreu muito na pele. A Inditex foi muito irregular nas compras este ano, não deu estabilidade a ninguém», explica o CEO. «Como tenho um leque de clientes bastante grande [100 clientes ativos] acabei por ter uma maior regularidade de trabalho, o que foi bom», reconhece.

A meta para este ano é atingir um volume de negócios de 25 milhões de euros. «Vai depender do mercado, mas está bem encaminhado e tudo indica que vamos chegar lá», afirma o CEO. «No primeiro semestre atingimos vendas 30% acima do ano passado, mas agora abrandou. O objetivo para este ano é crescer 16% a 17%», adianta.

Ordem para exportar

Para continuar em rota ascendente, a exportação tem um papel importante, nomeadamente a venda direta para os mercados internacionais, que atualmente se situa nos 25%, com destaque para Itália, Alemanha e Espanha. «O objetivo que tenho agora é apostar mais na exportação», assume Afonso Barbosa.

A preparar a tricotagem para este desafio, o empresário tem investido na certificação – atualmente está em curso a GRS (Global Recycle Standard), que se irá juntar ao GOTS (Global Organic Textile Standard) e ao Oeko-Tex, entre outros –, reforçou o departamento de design e tem apostado na nova geração para alimentar a criatividade. «Os mais novos vêm com aquela dinâmica de querer fazer mais, apresentar coisas diferentes e eu posso introduzir na cabeça deles que não quero cópias. Dou as ferramentas para trabalharem, mas quero que inventem, risquem, pintem, façam… Temos uma criativa e outra a fazer os debuxos para as máquinas. Mas há aqui um percurso ainda bastante grande a fazer», esclarece. Atualmente, «mais de 70% do nosso trabalho é inspirado na coleção que produzimos», sublinha Afonso Barbosa, pelo que a cada feira há novidades a chegar. Tendo-se estreado na Première Vision há um ano (ver Familitex à conquista de Paris), o foco para a edição de setembro do salão de tecidos parisiense será sobre as propostas sustentáveis. «Temos que ser diferentes e ir de encontro àquilo que o mercado quer. Hoje, o mercado está muito virado para a sustentabilidade, para os fios orgânicos e, como tal, não podemos fugir muito disso», assegura o CEO da Familitex.