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Farfetch chega ao lucro

A plataforma dedicada ao luxo alcançou, pela primeira vez, lucros operacionais e um valor bruto de mercadorias superior a mil milhões de dólares no quarto trimestre do ano fiscal de 2020, tendo ainda somado mais de 500 mil novos clientes. Recordes que podem ser impulsionado com a entrada oficial no Tmall a partir de hoje.

[©Farfetch]

No quarto trimestre de 2020, o volume de negócios da Farfetch aumentou 41,3% em termos anuais, para 540,1 milhões de dólares (cerca de 449 milhões de euros), com um aumento de 43% no valor bruto dos produtos vendidos, que ultrapassou a marca de mil milhões de dólares pela primeira vez.

Para o ano completo, o volume de negócios subiu 63,9%, de 1,02 mil milhões de dólares em 2019 para 1,67 mil milhões de dólares em 2020, e o valor bruto dos produtos vendidos superou os 3 mil milhões de dólares.

A plataforma liderada por José Neves conseguiu ainda no quarto trimestre angariar mais de 500 mil novos clientes e obter um valor positivo no Ebitda (lucros antes de juros, impostos, desvalorização e amortizações) pela primeira vez, para 10,4 milhões de dólares, em comparação com um prejuízo de 17,9 milhões de euros no mesmo trimestre do ano passado, contribuindo para o objetivo delineado para 2021 de atingir um Ebitda entre 1% e 2%.

«Com a entrada em 2021, sinto-me mais energizado do que nunca pelas perspetivas de aproveitar os nossos incríveis feitos até agora e as capacidades únicas da nossa plataforma para perseguir as oportunidades de crescimento significativas que temos na nossa visão para sermos um facilitador digital que liga os criadores, curadores e consumidores da indústria mundial de luxo, tanto online como offline – uma oportunidade de quase 300 mil milhões de dólares em que continuamos focados e planeamos investir mais para dar um valor significativo a longo prazo», aponta José Neves, fundador, presidente do conselho de administração e CEO da Farfetch, em comunicado.

José Neves [©Farfetch]
Contudo, em termos líquidos (após impostos), a Farfetch registou um prejuízo de 2,3 mil milhões de dólares, justificados pelo impacto não monetário das obrigações convertíveis, que lhe permitiu obter um financiamento de 1,25 mil milhões de dólares a taxas de juro baixas ou inexistentes, e pela valorização das suas ações no mercado.

O valor médio por cada compra baixou ligeiramente, de 636 dólares para 626 dólares, devido a uma combinação de mais saldos com menos artigos por cesto, compensada parcialmente por uma combinação maior de vendas a preço total.

«Penso que esta nova mudança de paradigma que estamos a ver com os consumidores veio para ficar. Temos agora dados de coorte do segundo trimestre e são dados incríveis», afirmou José Neves durante a apresentação dos resultados. «A retenção é muito forte. Temos um valor para toda a vida para esses consumidores que é superior do que nos 10 trimestres anteriores. O custo de aquisição desses clientes do segundo trimestre teve retorno em menos de seis meses. A coorte de consumidores no terceiro trimestre está a mostrar um comportamento de recompra e gasto por consumidor muito forte», apontou.

Novo impulso na China

A China está agora no centro das atenções para a Farfetch, que a partir de hoje disponibiliza oficialmente no Tmall mais de 3.500 marcas, 95% das quais não estavam presentes neste canal detido pelo Alibaba, que está a investir na Farfetch juntamente com o grupo de luxo Richemont.

[©Farfetch]
«É um canal onde, tal como em qualquer outro canal, temos de aprender. Temos de aprender como usar a plataforma e através da geração de procura estas plataformas são extremamente sofisticadas», explicou José Neves. «Por isso temos de aplicar as nossas capacidades nos dados, as nossas capacidades de impacto massivo a esta plataforma da mesma forma que as aplicamos ao Google ou ao Instagram ou ao WeChat e isso vai demorar algum tempo a afinar, mas estamos muito confiantes que, a longo prazo, será uma oportunidade muito, muito significativa», sublinhou.

No total, o Tmall tem 779 milhões de consumidores e complementa a app da Farfetch, que gera «a grande maioria» das suas vendas na China, que se assume, atualmente, como o seu segundo maior mercado.