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Farfetch encurta distâncias

A Farfetch estreia-se na gestão de plataformas de comércio eletrónico, estreitando as relações que mantém com diversas marcas parceiras de renome internacional, através da aplicação de uma solução inovadora de omnicanal.

A Farfetch, uma plataforma de moda internacional que conecta os consumidores a uma ampla rede global de boutiques, irá estrear-se, brevemente, na alimentação de sites de comércio eletrónico para diversas marcas. «Esta é uma solução de agência e de marca branca para as marcas, na qual podemos fazer uso da nossa plataforma para construir um outro site e, em seguida, implementar de forma modular os serviços ou infraestruturas que ela pretende usar», explicou José Neves, fundador da Farfetch, ao Business of Fashion. «Algumas marcas quererão deter o controlo completo sobre o design, construção e operação do dia-a-dia do seu site, enquanto outras poderão pedir-nos que efetuemos a gestão completa por eles, do atendimento ao cliente ao pagamento de marketing on-line».

As primeiras plataformas de comércio eletrónico alimentadas pela Farfetch serão disponibilizadas no último trimestre de 2015 e início de 2016, embora a empresa se tenha recusado a revelar os seus clientes antes dos lançamentos. A solução será entregue por meio de uma nova unidade de negócios de gestão particular, denominada Farfetch Black & White. A iniciativa coloca a Farfetch – que arrecadou recentemente 86 milhões de dólares numa ronda de financiamento de Série E, que avaliou a empresa em mil milhões de dólares – em concorrência direta com fornecedores de comércio eletrónico, como Yoox e Demandware.

De acordo com Neves, a Farfetch Black & White disponibiliza diversas vantagens face aos concorrentes. «A primeira prende-se com o facto de ser um omnicanal inovador», aponta, o que significa que as marcas podem utilizar a plataforma Farfetch para conectar o stock das suas lojas de retalho aos seus sites e fornecer serviços como click-and-collect e devoluções em loja. «Utilizando o nosso API [Interface de Programação de Aplicações], as marcas, mesmo nos seus próprios sites, podem disponibilizar inventário das suas lojas físicas», explica. «Os clientes podem, também, recolher as encomendas nas lojas físicas ou optar pela entrega no mesmo dia, que será lançada muito em breve em várias cidades. Se dispõe de uma loja flagship incrível em Los Angeles, por que motivo devem alguns clientes esperar uma semana pela entrega de algo proveniente de um armazém na Europa? Não faz sentido nenhum», acrescenta.

Usando a Farfetch, as marcas podem, também, implementar sites localizados em nove línguas e expedir rumo a uma ampla gama de áreas geográficas, incluindo os principais mercados globais, como a China, Japão, Brasil e Rússia, afirma Neves. A solução é sustentada em API, facilitando a integração com outros serviços. «Se a marca pretende vender no WeChat na China, só precisa de usar o nosso código API e integrar as suas operações», refere Neves. As marcas que trabalham com a Farfetch Black & White podem simplesmente «carregar no interruptor» e começar a vender em Farfetch.com, «onde existe uma ampla quantidade de tráfego e exposição global».

Neves recusou-se a revelar o modelo de preços da empresa para a Farfetch Black & White, dizendo apenas que «queremos ser bem sucedidos se, e somente se, as marcas forem bem sucedidos, mas o preço é sob medida de acordo com o que as marcas pretendem fazer».

A Farfetch iniciou, também, a inclusão de boutiques monomarca no seu mercado, que agora inclui inventário de lojas de retalho operadas por Vera Wang, Roksanda, AMI, Derek Lam, La Perla e Jason Wu. «As marcas disponibilizam, frequentemente, as melhores linhas nas suas lojas próprias, apresentando uma gama diluída no seu site», diz Neves, caracterizando esta iniciativa como benéfica para os consumidores, que adquirem acesso a uma seleção mais ampla de produtos, e para as marcas, que podem usar a plataforma como um meio de disponibilizarem inventário armazenado nas lojas físicas, tornando-o acessível a compradores on-line em quase 190 países.

Sobre se a inclusão de lojas monomarca no mercado da Farfetch irá subtrair vendas às boutiques parceiras, Neves acredita que «o que as marcas disponibilizam para venda por atacado é muitas vezes diferente do que as marcas oferecem a retalho. Mas se ambos [os canais] têm o mesmo produto, no mesmo tamanho, nós desenvolvemos um algoritmo muito equilibrado [e irá determinar como a venda é alocada]. Expusemos esse algoritmo às nossas boutiques há dois meses, dando-lhes a oportunidade de comentarem e, obviamente, negociámos também com as marcas». A Farfetch recusou-se a revelar detalhes sobre o funcionamento deste mecanismo.

Coloca-se, atualmente, a questão sobre a dimensão da representação destas parcerias na generalidade do negócio. «Creio que é difícil dizer», reconhece Neves. «Para nós, prende-se essencialmente com o facto de se queremos ser os pioneiros do novo futuro do retalho, temos de fazê-lo com boutiques e marcas. Esta é uma atitude estratégica para nós. Os consumidores efetuam compras em espaços monomarca, efetuam compras em espaços multimarca. Eles não saem de uma loja e dizem: “Acabei de comprar numa monomarca” ou “Acabei de comprar numa boutique”. Eles simplesmente efetuam compras, onde pretendem fazer compras», esclarece.

A Farfetch está a investir recursos significativos no desenvolvimento e teste de novas inovações em loja, como parte de um programa que a empresa denomina “Loja do Futuro”. Num momento em que a iniciativa começa a gerar frutos, a empresa planeia, também, alimentar lojas físicas para os seus parceiros. «A intenção é que toda a inovação que iremos efetuar em termos de retalho físico, também esteja disponível para as marcas e boutiques», justifica.

Segundo a Farfetch, o volume bruto de mercadorias deverá superar os 500 milhões de dólares este ano, elevando as receitas previstas para 125 milhões de dólares. A marca receberá, alegadamente, 25% de comissão das suas atuais boutiques parceiras.