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Farfetch: entrada em bolsa no horizonte

Contrariamente às notícias que apontavam para a entrada em bolsa em 2017, o início da operação de oferta pública inicial (IPO) da Farfetch deverá acontecer apenas quando a start up passar a ser lucrativa, algo que José Neves espera que aconteça dentro de dois a três anos.

Fundada em 2008 pelo empresário português José Neves, a Farfetch coloca os consumidores em contacto com 1.500 designers à volta do globo e agrega hoje mais de 500 boutiques de luxo, incluindo a L’Eclaireur em Paris, a Maxfield em Los Angeles e a Fivestory em Nova Iorque.

Quando questionado sobre a perspetiva de uma IPO, Neves confirmou à agência noticiosa Reuters que os investidores da Farfetch têm esse objetivo, mas ainda não decidiram se ocorreria em Londres, Nova Iorque ou Hong Kong. «Podemos começar a considerar isso dentro de dois ou três anos, mas não agora, pois ainda estamos em fase de investimento», afirmou Neves à margem do Vogue Fashion Festival, que decorreu em Paris nos dias 4 e 5 de novembro. «Será o próximo grande marco financeiro para a empresa», acrescentou.

O CEO esclareceu também que a Farfetch não tem nada planeado para 2017, contrariamente ao que a Bloomberg adiantou na semana passada. José Neves revelou que a empresa está «no caminho certo para se tornar rentável» a médio prazo. A faturação bruta da start up deverá superar os 800 milhões de dólares este ano (aproximadamente 723 milhões de euros), acima dos 500 milhões de 2015 e o crescimento da receita nos últimos anos foi de cerca de 60%, adiantou Neves.

«Vimos o crescimento acelerar no terceiro e no quarto trimestre e esta aceleração não deverá abrandar», admitiu.

José Neves fundou a primeira empresa de software quando tinha 19 anos (ver A educação de Neves), enquanto estudava economia na Universidade do Porto e hoje gere um negócio que já acumulou investimento na ordem dos 305 milhões de dólares, estando atualmente avaliada em cerca de 1,5 mil milhões de dólares (ver Farfetch vale mil milhões).

Com sede fiscal em Londres e escritórios espalhados por nove países (ver Farfetch namora a China), Portugal continua a ser o destino de eleição para as operações da equipa de tecnologia. Prova disso, a start up esteve recentemente no Porto com uma maratona tecnológica cujo objetivo primordial foi recrutar novos talentos em território português (ver Farfetch na corrida ao talento nacional).

A empresa conta atualmente com um escritório no Porto – cujas instalações foram aumentadas este ano – e outro em Guimarães, estando também a investir num escritório em Lisboa.