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Farfetch estima perdas até 125 milhões de dólares

Empresa de José Neves antecipa perdas que podem chegar até aos 125 milhões de euros no 1.º trimestre do ano. Mesmo assim, está otimista e diz que pode chegar à rentabilidade operacional em 2021.

José Neves

Os efeitos da crise provocada pelo novo coronavírus são transversais a todas as empresas. A tecnológica Farfetch, que ontem divulgou os resultados preliminares referentes ao 1.º trimestre de 2020, prevê prejuízos entre 70 a 125 milhões de dólares. Já o EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) deverá variar entre os 21 milhões e os 25 milhões de dólares.

A empresa, que gere uma plataforma de comércio online que agrega marcas de moda e acessórios de luxo, retalhistas e consumidores, decidiu avançar com o relatório preliminar para dar alguns dados aos investidores no contexto da pandemia provocada pelo Covid-19.

O valor global de mercadorias vendidas (GMV, na sigla em inglês) terá registado uma subida entre 43% e 46%. O crescimento através de plataformas digitais terá aumentado entre 17% e 19%.

«Esperamos apresentar um crescimento do valor bruto das mercadorias na plataforma digital no primeiro trimestre de 2020, suportado pelo desempenho da China, que continuou a crescer mais rapidamente do que o resto do marketplace, e a partir de 1 de fevereiro de 2020 acelerou para um crescimento anual mais rápido do que o registado em todo o ano de 2019», revela a empresa em comunicado.

A Farfetch, que também publicou uma carta do fundador e CEO da empresa, José Neves, afirma que «a nossa principal prioridade tem sido proteger a saúde e o bem-estar dos nossos funcionários, parceiros e clientes. Ao mesmo tempo, continuamos focados na execução dos nossos objetivos estratégicos e financeiros».

José Neves recorda. a propósito, o ADN da empresa, que nasceu em plena crise financeira de 2008, altura em que a tecnológica se concentrou em apoiar a indústria de luxo.

A Farfetch adianta que, no final dos três primeiros meses do ano, assistiu a uma «desaceleração do crescimento nos maiores mercados (Europa e América do Norte), um cenário que não é inesperado, uma vez que vários países continuam a implementar políticas de confinamento». Por consequência, «continuamos alertas e planeamos os nossos negócios para vários cenários incluindo vários graus de redução da procura global e oferta na plataforma, com diferentes impactos na nossa rentabilidade a curto prazo», sublinha o comunicado.

Não obstante, prossegue o fundador da empresa, espera-se que «as transações digitais representem uma proporção significativamente maior do sector, em geral, com o fecho das lojas, restrições de viagens e mudança nos hábitos dos consumidores».  O que leva José Neves a guardar uma nota de otimismo: «acreditamos que tendências seculares irão acelerar as vendas nos canais online e levar a um retorno a níveis normalizados de consumo em 2021. Este cenário suporta a nossa capacidade de entregar rentabilidade operacional como planeado».