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Farfetch traça metas para 2030

A retalhista online de moda de luxo quer ser o motor da da mudança para um negócio mais sustentável e inclusivo e, para cumprir esta missão, delineou objetivos ambiciosos para os próximos 10 anos, incluindo emissões de carbono abaixo de zero e o reforço dos projetos de revenda e doação.

[©Farfetch]

A Farfetch quer ser uma força do bem na moda do luxo e, por isso, anunciou na semana passada a primeira parte de uma série de metas de sustentabilidade a 10 anos, que inclui emissões de carbono abaixo de zero, uma gama maior de produtos conscientes, maior circularidade e uma maior diversidade e representação na organização até 2030.

O aumento nas vendas de luxo online provocado pela pandemia acelerou o lançamento dos objetivos enumerados na iniciativa de sustentabilidade Positively Farfetch, lançada em 2019. «Este ano vimos um movimento acelerado das vendas de moda de luxo online, que apenas aumentou a necessidade de priorizar o nosso trabalho nesta área e nos deu a oportunidade de inserir práticas de negócio sustentáveis e inclusivas na forma como estamos a expandir o nosso negócio», explica, em comunicado, José Neves, fundador, CEO e presidente do conselho de administração da Farfetch, que no mês passado anunciou o apoio do Richemont e do Alibaba.

«Operamos na interseção da moda, tecnologia e sustentabilidade», acrescenta, por seu lado, Thomas Berry, diretor de negócio sustentável na Farfetch. «Estes mundos estavam já a fundir-se antes do confinamento mundial, mas a movimentação para o online está a acelerar rapidamente em resultado. Estabelecer alguns objetivos ambiciosos a longo prazo é o próximo passo lógico na jornada de sustentabilidade da empresa», aponta.

[©Farfetch]
Na descrição, a Farfetch refere que pretende que estes objetivos «nos inspirem, e à nossa comunidade de criadores, curadores e consumidores, a fazer mudanças ousadas para pensar, agir e escolher positivamente», comprometendo-se ainda a reportar os avanços realizados todos os anos.

Quatro áreas de atuação

Os objetivos dividem-se em quatro áreas, batizadas Positively Cleaner, Positively Conscious, Positively Circular e Positively Inclusive.

O primeiro inclui «atingir emissões zero reduzindo a nossa pegada em linha com metas baseadas em ciência, compensando emissões inevitáveis e apoiando a nossa cadeia de valor».

Para isso, a Farfetch vai centralizar a resposta às encomendas, usar embalagens mais eficientes e aumentar a utilização de energia renovável. Segundo afirma, o maior impacto está atualmente na rede logística, sendo que 44% das suas emissões dizem respeito a envios e devoluções. Com o tempo, a Farfetch deverá expandir o programa de compensação de emissões, que atualmente cobre todas as emissões dos envios e devoluções dos consumidores, para abranger as emissões residuais.

Em termos de embalagens, a Farfetch introduziu novos tamanhos de caixas para assegurar que todos os produtos são enviados em caixas apropriadas, reduzindo as emissões e o desperdício de papel. A retalhista online mudou ainda para materiais certificados pelo Forest Stewardship Council e melhorou o design das embalagens para que possa usar menos fita-cola.

[©Thrift]
Ao nível da área Positively Conscious, a meta é gerar todo o volume de negócios de «produtos que são reconhecidos ou certificados de forma independente como sendo melhores para as pessoas, o planeta ou os animais, e de serviços que permitem uma mudança positiva», indica no seu website.

Já para alargar a vida útil do vestuário e reduzir os resíduos, a Farfetch vai reforçar os modelos de negócio como a revenda, a reparação, os produtos feitos à medida e a doação. Após o lançamento piloto bem sucedido, o Farfetch Secondlife e o Farfetch Donate serão alargados a novos mercados, revela a empresa.

Além disso, a Farfetch planeia ser «líder na “inclusão consciente”», advogando «a diversidade e a inclusão tanto no nosso local de trabalho como na comunidade mundial de moda», aponta. A empresa, que alega ter já começado esse trabalho «há algum tempo» e que recentemente apresentou uma parceria para inserir propostas de designers africanos na sua oferta, vai publicar diretrizes no próximo ano para ser capaz de monitorizar o seu progresso e «ser transparente».

José Neves acredita que «enquanto plataforma para a indústria de luxo temos uma posição única para permitir uma mudança positiva de muitas formas diferentes. A sustentabilidade é uma pedra angular na evolução do “novo retalho de luxo”, onde a fronteira entre o comércio offline e online se está a dissolver já que as operações em loja estão digitalizadas. Vamos permitir aos parceiros melhorar a experiência do consumidor através da inserção da sustentabilidade em áreas como a entrega, gestão eficiente da cadeia de aprovisionamento, marketing e merchandising do produto, envolvimento do consumidor e ofertas inovadoras de serviço».