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Farfetch vale mil milhões

O sucesso da iniciativa foi já noticiado um pouco por todo o mundo, não só porque aumenta o valor da empresa, sediada em Londres e fundada pelo português José Neves, para mil milhões de dólares, mas também porque entre os investidores está, além da Condé Nast e da Vitruvian Partners (que já tinham investido anteriormente), a DST Global, a empresa fundada por Yuri Milner que já investiu no Facebook, Twitter, Xiaomi, Alibaba e muitas outras. «A Farfetch tem uma equipa forte, um crescimento impressionante e um enorme potencial para capitalizar o mercado em rápido crescimento do comércio eletrónico de moda de luxo», afirmou Yuri Milner em comunicado. Criada em 2007, a Farfetch expandiu-se dos seus mercados principais da Europa e dos EUA para a China, Rússia e Japão, chegando a uma população de consumidores ávidos que têm dinheiro para consumir moda mas poucas lojas locais onde fazer compras. De acordo com o Financial Times, o plano é usar este novo investimento para continuar a expansão internacional, com planos para alargar as suas operações na Alemanha, Coreia do Sul, Espanha e na América Latina. A empresa, que mantém o centro de desenvolvimento de software, apoio ao cliente, webdesign e produção fotográfica em Portugal, no Ave Park, gera cerca de um milhão de dólares em negócios todos os dias, com o talão médio por consumidor entre os 600 e os 700 dólares. Uma prova do forte crescimento da Farfetch, que em 2010, quando fez a primeira angariação de fundos com a Advent Venture Partners e Frederic Court, gerava vendas de 25 mil dólares por dia. O seu modelo de negócio, que liga retalhistas de todo o mundo a consumidores em todo o mundo, continua a ser a grande mais-valia e o grande projeto da Farfetch, que para já deixa de lado outras possibilidades. «Não temos planos para lançar uma marca ou acrescentar inventário», afirmou o CEO José Neves à editora do TechCrunch, Ingrid Lunden. «O plano é continuar a ser um mercado e ligar retalhistas de todo o mundo», explicou. «Hoje temos retalhistas com 20 lojas e grandes armazéns como as Galerias Lafayette. Temos empresas muito grandes na plataforma assim como pequenas boutiques. O plano é ter mais», sublinhou José Neves. Mas a forma como a Farfetch conseguiu reunir, com sucesso, todos estes players, ao contrário de outras que tentaram e falharam, é que continua a atrair os investidores. «Diria que criar um website de comércio eletrónico é hoje mais fácil do que nunca com empresas como a Shopify, mas criar uma operação comercial bem sucedida é mais difícil do que alguma vez foi», destacou o CEO. A isso soma-se uma enorme capacidade logística. «Nós conseguimos taxas e níveis de serviço que mais ninguém consegue. Isso é impossível de fazer até por empresas de tamanho médio. Por isso é que tantos retalhistas dos EUA ainda não enviam para a América do Sul», indicou. Atualmente, a Farfetch junta 300 retalhistas e 450 mil utilizadores em 180 países, números que a empresa espera aumentar com esta nova injeção de capital.