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Farfetch veste-se com moda africana

A plataforma de comércio eletrónico de moda de luxo está a abrir os horizontes a cada vez mais geografias. Depois do acordo com a Alibaba, a Farfetch fez agora uma parceria com a concept store The Folklore e irá acolher, a cada estação, propostas de designers africanos. A primeira investida conta com 10 marcas e mais de 60 produtos.

Folklore x Farfetch [©TheFolklore/Stephen Tayo]

A plataforma de comércio eletrónico de luxo criada pelo português José Neves anunciou uma nova parceria com a concept store nova-iorquina The Folklore, que alberga designers emergentes e de luxo de África e respetiva diáspora. A Farfetch revelou que está a trabalhar para mostrar mais marcas detidas por negros e, nesse sentido, está a lançar vendas de propostas de 10 designers africanos de moda e acessórios da The Folklore.

A ação representa o início de uma parceria estratégica que a cada estação irá levar novas marcas e estilos dos artistas representados na The Folklore para a plataforma de comércio eletrónico, com a respetiva foto e conteúdo de vídeo para contar a história de cada designer.

Nesta primeira entrada, foram colocados à venda mais de 60 produtos de edição limitada nas categorias de vestuário de homem e senhora, joalharia e carteiras. Entre os designers e marcas representados encontram-se as nigerianas Andrea Iyamah, Clan, Fruché, Lisa Folawiyo, Onalaja, Orange Culture e Tokyo James, juntamente com as marcas William Okpo, EDAS e Third Crown, sediadas em Nova Iorque.

«Criei a The Folklore em 2018 para dar espaço aos designers de contarem as suas próprias histórias», explica, em comunicado citado pelo Sourcing Journal, Amira Rasool, fundadora da The Folklore. «Queremos que as pessoas se dissociem da ideia que a indústria de design africana é monolítica. Pelo contrário, é extremamente diversa», acrescenta.

«Também queremos que as pessoas reconheçam que não se trata de um mercado de massas», sublinha. Quando um consumir adquire uma peça de uma das marcas representadas, pode ser «uma das três pessoas no mundo que tem aquele modelo específico», refere.

Originalidade exclusiva

A maior parte dos produtos são feitos à mão e há um «elemento exclusivo» a ter peças de luxo africanas, afirma Rasool, por causa das histórias que contam. «Durante muito tempo, cidades como a Cidade do Cabo e Lagos foram ignoradas pela comunidade de moda», aponta. «O que as pessoas estão a ver agora é refrescante aos seus olhos e essa frescura dá ao utilizador uma vantagem», salienta.

Folklore x Farfetch [©TheFolklore/Stephen Tayo]
Segundo Amira Rasool, a marca nigeriana Fruché tem a coleção cápsula «mais emergente». A fundadora da The Folklore encontrou a linha do designer Frank Aghuno nas redes sociais e trouxe as suas criações para a concept store. «Descobri o quão sintonizado ele estava com o que as mulheres querem usar e como se querem sentir com as roupas», justifica. Mulheres que não se veem como muito ousadas no que diz respeito à moda estão «mais dispostas a correr o risco» por causa da «beleza pura» dos vestidos camiseiros, blazers descontraídos ou um top com manga em balão vitoriano, enumera.

Rasool também destaca a estética do nigeriano Adebayo Oke-Lawal, designer da marca Orange Culture, que tem acumulado seguidores nas redes sociais desde 2014, quando foi finalista do Prémio LVMH para designers emergentes.

«A coleção que estamos a estrear na Farfetch chama-se Flower Boy, onde ele se debruça sobre a androgenia», conta a fundadora da The Folklore. Oke-Lawal pretende chegar a artigos «realmente unissexo», com o foco em texturas inventivas que são novas e entusiasmantes para os consumidores. «Gosto que ele tenha encontrado um equilíbrio entre ser super criativo e dar-nos arte, mas fazendo com que seja vestível», refere.

A nova parceria representa apenas uma das mais recentes iniciativas da Farfetch em novos mercados em todo o mundo, através de parcerias com marcas e marketplaces concorrentes e a expansão dos programas de revenda. No início do mês, a empresa anunciou uma acordo estratégico com o gigante chinês Alibaba e a empresa de luxo Richemont para dar maior acesso às marcas de luxo aos seus consumidores mais ávidos.

Já esta semana, a plataforma também anunciou que irá alargar o programa de troca de carteiras, Farfetch Second Life, aos EUA, depois de um projeto-piloto de um ano na Europa. Além disso, a Farfetch permite agora que os clientes europeus comprem a partir de versões localizadas da plataforma em alemão, holandês, espanhol, francês, italiano, dinamarquês e sueco.

Na apresentação de resultados do terceiro trimestre na semana passada, a Farfetch revelou um crescimento de 62% da faturação, para 798 milhões de dólares, em comparação com o período de julho a setembro de 2019. Os prejuízos após impostos, contudo, foram o quíntuplo em termos comparativos, ascendendo a 537 milhões de euros. No entanto, em entrevista ao Observador, José Neves indicou que a empresa vai ter lucros operacionais no último trimestre do ano. «Comprometemo-nos em entregar lucro operacional já no próximo trimestre. Será o primeiro trimestre de lucros operacionais desde que somos cotados em bolsa», resumiu.