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Farfetch volta a somar

Esta semana, a plataforma de comércio eletrónico fundada pelo empresário português José Neves fechou a sexta ronda de financiamento em 110 milhões de dólares. O investimento da Série F foi liderado por novos investidores como o Temasek, o IDG Capital Partners e a Eurazeo – que participa em marcas como Moncler ou Vestiaire Collective – e está apontado para a Ásia.

A plataforma de moda internacional que conecta os consumidores a uma vasta rede global de boutiques e, cada vez mais, a marcas (ver Farfetch encurta distâncias), fundada e liderada por José Neves, fechou uma ronda de investimento em capital de risco em 110 milhões de dólares (aproximadamente 95 milhões de euros), de acordo com a informação avançada esta quarta-feira, 4 de maio, pelo portal The Business of Fashion (BoF).

A operação foi liderada por um fundo de Singapura, o Temasek, um chinês, o IDG Capital Partners, e pelo francês Eurazeo. Na mesma operação, participaram os já investidores Vitruvian Partners. Desde que foi lançada, em 2008 (ver Historial de luxo), a startup acumulou investimento na ordem dos 305 milhões de dólares, estando atualmente avaliada em cerca de 1,5 mil milhões de dólares (ver Farfetch vale mil milhões).

O investimento será destinado à expansão da plataforma na China e outros mercados da Ásia-Pacífico, onde o Temasek e o IDG Capital Partners têm conhecimentos de interesse para a startup. A China é atualmente responsável por cerca de 12% vendas da Farfetch, com a restante região Ásia-Pacífico a representar outros 14%.

«A Ásia, como um todo, representa 26% dos nossos negócios – uma em cada quatro vendas que fazemos», explicou José Neves ao BoF, acrescentando que «se olharmos para os parceiros que temos agora, como o Temasek, que tem grande influência no sudeste asiático e que tem também investimentos em todos os maiores jogadores asiáticos online, e a IDG Capital Partners – que é a mesma coisa –, é definitivamente um movimento estratégico. Eles conhecem todos os players lá e isso faz com que seja mais fácil criar parcerias, contratações e conhecimentos», acredita o empresário.

Já Alexandre Quirici, sócio da IDG Capital Partners, afirmou em comunicado que «estamos muito animados em apoiar José e sua equipa no próximo estágio de desenvolvimento da empresa a nível internacional. Estamos particularmente entusiasmados com o crescimento de Farfetch na China, onde esperamos ajudar a empresa a alcançar um sucesso ainda maior».

A Eurazeo, uma empresa de investimento francesa, «é uma grande acionista da Moncler, Vestiaire Collective e, estando em Paris, está muito muito bem relacionada com os grupos de luxo», explicou Neves.

Virginie Morgon, vice-presidente da Eurazeo, referiu em comunicado que «fomos atraídos pelo modelo Farfetch que abrange os sectores nos quais já ganhámos uma posição sólida: a tecnologia digital, os bens de luxo e as marcas. Além do seu perfil internacional, o modelo omnicanal e o seu perfeito entendimento das regras que regem a indústria de bens de luxo, ficamos muito impressionados com o modelo de negócio inovador da empresa e com a qualidade da sua execução, especialmente do ponto de vista tecnológico».

A Farfetch não avançou os números dos resultados da empresa mas, de acordo com o BoF, os valores das transações globais superaram os 500 milhões de dólares, mais 70% do que no ano anterior. As estimativas apontam para que as receitas estejam na ordem dos 125 milhões de dólares, ou seja, a startup ainda não é rentável.

Não obstante, o anúncio de investimento é apenas um de um conjunto de recentes avanços bem-sucedidos da Farfetch. No início deste ano, a plataforma expandiu-se para os campos da beleza e vestuário de criança e, no final de março, a Manolo Blahnik tornou-se a primeira empresa a lançar o seu website com a Farfetch Black & White, uma nova empresa que desenvolve plataformas de comércio para marcas. De acordo com o portal Fashionista, José Neves espera lançar mais marcas através da Black & White já este verão.