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Faria da Costa tem meias para andar

Fidelizar clientes, numa lista onde se inclui a H&M, lançar novos produtos para combater a sazonalidade das suas meias e levar o nome da empresa além dos 28 mercados onde está atualmente presente fazem parte da estratégia da Faria da Costa para crescer.

Fundada em 1988, a Faria da Costa nasceu da vontade de Álvaro Costa de diversificar a sua atividade. «Na altura, o produto que estava a dar era o têxtil e eu, que estava na avicultura, a produzir pintos e ovos reprodutores, passei para a têxtil, para as meias e peúgas, que era uma coisa totalmente diferente», explicou o fundador da empresa numa entrevista, dada com o filho, Nuno Costa, publicada na edição de abril do Jornal Têxtil. Sem conhecimentos de têxtil, lançou-se na aventura de fazer meias e desde então nunca mais parou. «Ainda hoje estamos a aprender, todos os dias. O que nos move é que vamos arranjando mais clientes, vamos fazendo novos produtos – quase todos os dias sai um produto novo da fábrica», afirmou.

A inovação pauta os dias dos 75 funcionários que a empresa emprega. Uma estratégia que acaba por ser imposta pela realidade do quotidiano e pela globalização do próprio negócio. «No fundo não é mais do que fugir à concorrência», confessou Álvaro Costa. Esta fuga para a frente tem permitido desenvolver produtos inovadores, como o WyFeet (Warm Your Feet), resultado de uma parceria com o Citeve, atualmente em fase de industrialização. «Estamos a inovar por outro tipo de artigos, a procurar artigos técnicos. Vamos manter os artigos de inverno da mesma gama – tanto as meias como os cachecóis e os gorros –, mas estamos a diversificar para artigos que possam ser competitivos com as máquinas que temos», revelou Nuno Costa, acrescentando ainda que «vamos também diversificar para artigos de verão com o objetivo principal de aniquilar o nosso período de sazonalidade».

Foi graças a esta capacidade de diversificação e diferenciação que a Faria da Costa ultrapassou o embate da entrada dos produtos chineses na Europa e vence, diariamente, num mercado concorrencial onde até as temperaturas mais altas, provocadas pelo aquecimento global, parecem jogar contra si. «O tempo é capaz de nos ser mais prejudicial do que a concorrência em si», admitiu Nuno Costa.

Tendo em conta o tipo de artigo que produz – é especialista em meias para temperaturas de -10 °C a -20 °C – os mercados do Norte da Europa, nomeadamente a Alemanha, Noruega, Dinamarca e Suécia, são, naturalmente, os principais destinos das meias da empresa, que exporta para cerca de 28 países praticamente a totalidade dos 25 mil pares de meias que produz diariamente. «Estamos sempre à procura de novos mercados», sublinhou Nuno Costa, apontando os EUA e o Canadá – onde já está presente – mas também a Rússia, uma nova aposta, como os alvos em mira.

Com a H&M como um dos clientes de referência, a empresa, que em 2015 registou um volume de negócios de cerca de 3 milhões de euros, acredita que 2016 será um ano positivo, a crer no arranque «muito forte» registado no início do ano. Não ignora, contudo, a ameaça dos concorrentes, nem as dificuldades do sector. «As dificuldades são muitas, mesmos nos produtos do dia-a-dia. A concorrência da Europa de Leste, e no caso das meias, da Turquia, é muito forte. Há sectores onde já se nota uma melhoria, mas nas meias, julgo que ela virá também, não é ainda tão nítida», referiu Álvaro Costa.

A Faria da Costa está, por isso, a renovar o seu parque de máquinas, composto por 200 teares, num investimento que deverá atingir 700 mil euros, para a substituição de 20 máquinas, nos próximos 10 anos. «Esta é uma área muito dinâmica e é preciso dinamismo para acompanhar o mercado, porque hoje estamos a vender um artigo muito bem mas amanhã muda e deixa de se vender. Daí a inovação constante que temos que fazer», concluiu Nuno Costa.