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Fashion Checker: aprovisionamento com dados reais

A Clean Clothes Campaign criou um website onde os trabalhadores, ativistas e consumidores podem ter acesso aos dados reais de como as peças de vestuário que pretendem adquirir foram confecionadas e em que condições. O objetivo é garantir salários dignos e defender os direitos dos trabalhadores.

[©Fashion Checker]

Saber onde é que os artigos de vestuário foram produzidos e em que condições de trabalho passou a ser possível com o Fashion Checker, o website criado pela Clean Clothes Campaign (CCC), que dá acesso às cadeias de aprovisionamento de algumas das maiores marcas de vestuário, como a Primark e a Topshop.

A iniciativa da organização surge com o objetivo de fazer com que as marcas e os decisores de políticas garantam salários dignos para todos os trabalhadores da indústria de vestuário até 31 de dezembro de 2022, noticia o just-style.com.

À medida que a procura por moda ética e ecológica aumenta, as marcas respondem a esta necessidade de mercado com grandes campanhas de marketing e relatórios de sustentabilidade, mas, apesar de o fazerem, o preço continua a ser uma das questões que mais condiciona a vida dos trabalhadores, uma vez que o propósito é sempre encontrar os preços mais baixos para os produtos. Esta prática faz com que os fornecedores da indústria operem com margens de lucro extremamente reduzidas que, consequentemente, vão afetar os salários dos trabalhadores do sector, que já vivem no limiar da pobreza. A falta de transparência é também uma das problemáticas apontadas pela CCC e um dos aspetos que impossibilita a exigência por parte dos trabalhadores de salários justos.

«As empresas recusam-se a divulgar informações relativas à cadeia de aprovisionamento porque isso significaria associarem-se aos salários de miséria, que os trabalhadores que executam os projetos da marca recebem» afirma Muriel Treibich da CCC. «Esta falta de responsabilidade tem de mudar e é por isso que precisamos urgentemente de dados atualizados e precisos das fábricas e dos salários pagos em toda a cadeia de aprovisionamento», explica.

De forma a colmatar esta lacuna, os aspetos mencionados por Muriel Treibich estarão no Fashion Checker, que vai incluir detalhes sobre os salários dos trabalhadores, desde o género ao estatuto de migração, para verificar se estas diferenças estão a influenciar o nível do valor salariar e também as condições laborais a que são sujeitos.

Compromissos sólidos

Além de proporcionar informações para os trabalhadores, consumidores e ativistas, a Clean Clothes Campaign está também a publicar uma lista de exigências para marcas e para os decisores de políticas.

[©Fashion Checker]
Entre as principais reivindicações constam o compromisso em utilizar indicadores sólidos e transparentes no que diz respeito ao salário mínimo e promover o cuidado obrigatório com a aplicação dos direitos humanos nas cadeias de aprovisionamento. Ainda que nos últimos anos, se tenha verificado um aumento da transparência, os ativistas continuar a apelar às marcas e aos decisores políticos para publicarem mais dados e informações e serem mais rápidos a implementarem o critério da transparência nas cadeias de aprovisionamento.

Tendo em conta os princípios orientadores na ONU sobre Empresas e Direitos Humanos, as marcas são obrigadas a gerir os negócios com responsabilidade, contudo a CCC destaca o facto de em 2020 os trabalhadores que integram a indústria de vestuário ainda estarem a lutar por direitos fundamentais.

O website conta já com informações referentes a 108 marcas e entrevistas diretas aos funcionários do sector de cinco países produtores de vestuário para que os dados possam ser baseados em testemunhos reais. Conforme o projeto se vai desenvolvendo, os dados presentes no Fashion Checker vão também aumentar com dados enviados por trabalhadores e por ativistas dos direitos laborais.

«As marcas têm de parar de ocultar as cadeias de aprovisionamento. As roupas são feitas por pessoas reais em locais reais. Os consumidores merecem saber onde e em que circunstâncias é que as roupas foram produzidas», conclui Paul Roeland da CCC.