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Fateba na guerra da qualidade

Com 70 anos de história, 40 dos quais a exportar, a Fateba conseguiu fidelizar clientes com uma oferta pautada pela qualidade, design e cumprimento de prazos. A produtora roupa de mesa continua a crescer, em efetivo e volume de negócios, numa altura em que a terceira geração dá os primeiros passos na empresa.

Fundada em 1947, sob a designação de Fábrica de Tecidos do Barreiro – o lugar onde nasceu, cresceu e se mantém até hoje, com o edifício original a albergar atualmente a tinturaria de fio –, desde logo a Narciso Pereira, Mendes & Herdeiros Lda. apostou na marca própria e foi com o nome Fateba, que ganhou reputação, tanto aquém como além-fronteiras.

«Lá fora somos conhecidos pela marca», explicou António Leite, diretor comercial da Fateba, numa entrevista publicada na edição de abril do Jornal Têxtil (ver O negócio da moda), embora a maior parte das vendas seja feita ainda com a etiqueta dos clientes, até porque «são desenhos que muitas vezes nos mandam. Há, contudo, clientes que não se importam – por exemplo, nos EUA, a maior parte dos clientes aceita a nossa etiqueta», revelou. «Na Europa acontece menos», afirmou.

Com os olhos postos nos mercados externos desde cedo, a produtora de têxteis-lar começou a cumprir a sua vocação exportadora há 40 anos e, atualmente, expede 95% das toalhas e panos de cozinha que fabrica, sobretudo para mercados como a Holanda, Alemanha e França. Os mercados europeus representam 80% das vendas, os EUA 15% e o resto do mundo 5%.

«Temos entre 30 a 35 clientes em 12 mercados distintos», resumiu António Leite, acrescentando que «o nosso target são os grandes armazéns e as empresas de catálogo».

Na estratégia de expansão estão em linha de mira a Polónia «e também alguns países da América Latina – o Chile é interessante, a Argentina…», apontou o diretor comercial.

Investimentos em 2017

Da estratégia faz igualmente parte novos investimentos, que este ano se irão concentrar «em dois teares jacquards», adiantou António Leite, «mas vamos manter a capacidade de produção, que andará nas 30 a 40 toneladas por mês. Vamos dar baixa de, pelo menos, dois teares, mas tentando aproveitar algum para fazer amostras, de forma a não pararmos a produção», admitiu.

A procura tem vindo a aumentar junto da produtora de atoalhados de mesa e panos de cozinha em felpo, que emprega 100 pessoas. «Sentimos que há clientes nossos que estão a fugir de países como a Índia e até a Turquia – que é dos nossos maiores concorrentes – e que estão a colocar encomendas em Portugal. A diferença de preços não é tão grande, o transporte demora muito mais tempo, normalmente as encomendas têm de ser maiores. Ou seja, tem tudo a ver com a flexibilidade, o podermos entregar na Europa, a mercadoria sair daqui na sexta-feira e na quarta ou quinta-feira da semana seguinte estar no armazém do cliente», contou o diretor comercial.

Um aumento que se refletiu no volume de negócios em 2016, que ultrapassou os 5 milhões de euros. «2016 foi provavelmente o melhor ano da Fateba, crescemos 15%», sublinhou António Leite.

As expectativas para 2017 são, por isso, «igualar, no mínimo, o volume de negócios do ano passado, embora esteja convencido de que vamos melhorar. O ano começou muito bem», confessou.

Já o segredo do sucesso da empresa nas últimas sete décadas deverá manter-se, este ano e também no futuro. «É a confiança que os clientes têm em nós. Confiança porque cumprimos nos prazos de entrega, porque cumprimos na qualidade, porque somos flexíveis e quando nos pedem uma coisa especial, tentamos fazer», enumerou António Leite. «Parece muito simples mas é a única coisa que temos de fazer se queremos manter ou até crescer – não há outros segredos. Se vamos entrar na guerra de preços, daqui a quatro, cinco anos, a Fateba fecha as portas. Não tem hipótese nenhuma. Temos de nos diferenciar pela qualidade e, obviamente, vendemos mais caro. O cliente sabe que está a pagar mais caro, sabe que ali ao lado pode ir buscar um artigo idêntico mais barato mas continua a comprar-nos», concluiu.