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Fato de proteção inteligente chega em 2022

O CeNTI, o CITEVE, a Scorecode e a Viatel estão a desenvolver um fato inteligente que alerta e protege os profissionais dos sectores da energia e das telecomunicações de riscos externos, mantendo-os ainda confortáveis e monitorizados. O equipamento deverá chegar ao mercado no próximo ano.

[©CeNTI]

O iP Vest, como foi batizado, tem múltiplas valências, incluindo a proteção no contacto com riscos elétricos, calor e chama, produtos químicos e intempéries, com avisos, em tempo real, de perigos externos, mas também a monitorização da temperatura e da taxa de esforço cardiorrespiratória do trabalhador.

«Além da proteção dos técnicos face a intempéries e a altas ou baixas temperaturas, este equipamento, composto por materiais têxteis com performance avançada, pretende salvaguardar os trabalhadores em situações de perigo, como o contacto com produtos químicos, líquidos, calor e chama, riscos elétricos, nomeadamente cargas electroestáticas e arco elétrico, bem como em atividades como a soldadura», explica o CeNTI em comunicado.

«Terá ainda incorporados vários sensores, através dos quais será possível monitorizar, além da humidade e temperatura ambiente, a temperatura corporal do trabalhador, os níveis da sua exposição a radiações eletromagnéticas e a sua taxa de esforço cardiorrespiratória», acrescenta o centro de nanotecnologia, salientando que «com este sistema de sensorização e comunicação, o equipamento está preparado para, em situações de risco, emitir um alerta em tempo real».

O fato pretende ainda assegurar o conforto dos trabalhadores, «contribuindo para uma maior valorização, satisfação e motivação profissional», segundo referem os responsáveis do projeto no CeNTI. «As atividades de instalação e manutenção de infraestruturas constituem um risco iminente à saúde dos trabalhadores devido, como sabemos, à exposição a inúmeras situações de potencial perigo. A existência de condições de segurança, higiene e saúde no trabalho, neste tipo de operações, constitui, por isso, um requisito essencial para que os trabalhadores se sintam bem, o que necessariamente se irá refletir de forma positiva no seu desempenho profissional», sublinham os investigadores.

Novos desenvolvimentos em curso

Sobre o projeto, que começou a 1 de junho de 2018 e termina em maio deste ano, Mafalda Mota Pinto, CEO da Scorecode, a empresa de confeção também conhecida por Scoop, referiu em entrevista ao Compete, que os principais desafios neste desenvolvimento «prendem-se com a transformação das necessidades de mercado num produto funcional vendável a um custo realista, todo este compromisso é difícil de alcançar principalmente quando estão envolvidos processos e desenvolvimentos tecnológicos de cariz inovador que se posicionam para além do estado de arte a nível internacional».

Mafalda Pinto [©Compete]
O fato inteligente, que tem igualmente como meta reforçar a alta visibilidade dos profissionais, deverá chegar ao mercado em 2022 e será utilizado em contextos diferenciados, nomeadamente em trabalhos nas linhas de baixa e média tensão e na manutenção de sistemas de telecomunicações em altura e no subsolo.

Além do iP VEST, os promotores do projeto integram também o consórcio europeu do HARPSENS – Head Mounted AR Platform with Plug & Play Sensor Functionality, um projeto da área dos têxteis avançados, que está a ser desenvolvido no âmbito do programa Eureka – Euripides2 em parceria com duas empresas turcas, a Augmency e a Arçelik. Focado na Indústria 4.0, o projeto tem como meta desenvolver um capacete inteligente com realidade aumentada (Cyclops) e um colete inteligente (Smart Vest) com sensorização integrada na estrutura têxtil.