Início Notícias Têxtil

Fatos à medida na palma da mão

A P&R Têxteis, a LMA, a empresa de biotecnologia Plux e diversas entidades do sistema técnico-científico criaram uma ferramenta que possibilita fazer mais facilmente fatos à medida e também gerar dados sobre os treinos dos atletas para melhorar a sua performance.

O consórcio desenvolveu, no âmbito do projeto Texboost, um fato sensorizado que recorre a tecnologia motion capture e uma app que permite visualizar a informação recolhida pelos sensores. «Integrámos sensores de elasticidade, de temperatura e de humidade», enumerou Ana Ramôa, investigadora do CITEVE, a que se somam sensores de movimento, capazes de obter leitura sobre a amplitude dos movimentos, que «foram feitos com pastas condutoras e foram alvo de um pedido de patente provisório», adiantou.

O fato permite recolher as medidas do atleta e obter informação, através dos sensores, sobre vários aspetos que devem ser considerados na produção do vestuário personalizado. «O atleta veste o fato, executa um treino e a equipa de desenvolvimento, com o tablet, consegue saber a informação que os sensores estão a produzir e ver exatamente que aspetos deve ter em atenção quando vai produzir o protótipo», elucidou Ana Ramôa. «Numa terceira fase, já no gabinete de desenvolvimento do produto da empresa, a equipa pode analisar informação mais completa sobre os movimentos que o atleta executou durante o treino, em que sítios há maior produção de calor, mais transpiração e, em função dessa informação, consegue escolher os materiais mais adequados para cada uma das partes do fato que o atleta vai usar», acrescentou.

Segundo Miguel Velhote, da FEUP, outra entidade ligada ao desenvolvimento, o fato é genérico, «para utilização em todo o tipo de desportos» e, dessa forma, capaz de «captar a informação em complemento à informação antropométrica nas medições do sujeito, com vista a que depois se consiga desenhar um fato já mais próximo da versão final». Com esta solução, é possível reduzir a produção de protótipos e fabricar mais facilmente um fato customizado para as necessidades do atleta.

O projeto não se ficou por aqui, com o consórcio a avançar para o desenvolvimento de um fato capaz de avaliar o desempenho de atletas. O protótipo criado é específico para ciclistas e inclui mais dois sensores têxteis, para a monitorização da atividade cardíaca e da atividade muscular. «Neste caso, o atleta veste o fato, o treinador consegue acompanhar o treino e visualizar se os movimentos e todo o comportamento do atleta são os mais corretos para que o seu desempenho seja o melhor. Mais tarde, numa situação já mais controlada, o treinador consegue fazer uma análise mais detalhada e chamar a atenção do atleta para os aspetos a melhorar para que possa depois aumentar o seu desempenho», revelou Ana Ramôa.

Para João Paulo Vilas-Boas, diretor do Labiomep – Laboratório de Biomecânica do Porto, que também contribuiu para a investigação, «esta ferramenta permite-nos ir um bocadinho mais longe nos parâmetros que normalmente o ciclista e particularmente o treinador ciclista estão interessados em conhecer», nomeadamente em termos de economia motora do movimento, «porque tem alguns sensores, nomeadamente um sensor na coxa e depois um sensor na perna, também no membro superior e na coluna vertebral que nos permitem conhecer os ângulos intersegmentados e a simetria colateral que o ciclista está a realizar sobre a bicicleta». Além disso, sublinhou, «permite-nos medir a atividade elétrica muscular com alguns sensores colocados criteriosamente sobre cada um dos músculos de interesse, possibilitando-nos depois o registo da atividade elétrica muscular em tempo real».